Páginas

segunda-feira, 14 de março de 2016

TODO PODER AO POVO


https://uniaoanarquista.wordpress.com/2015/10/19/campanha-construir-o-congresso-do-povo-trabalhador-e-explorado-uma-alternativa-anarquista-e-revolucionaria-para-a-crise/

As vezes fica difícil constituir um debate importante a respeito do "voto" e como os "anarquistas votam", apesar de um bom acúmulo e enxertos a respeito do tema, de Bakunin a Malatesta, de Maria Lacerda a Lucy Parsons. Alguns debates inclusive datados em um tempo espaço específicos.

Mas o principio norteador é que o voto ou o sufrágio universal é uma falácia que tende apenas em um evento de quatro em quatro anos, redefinir os atores da classe dirigente do grande capital, em termos mais simples, as mudanças reais não viriam com a mudança de legisladores, mas através de um programa.

Não se trata de sectarismo ou de anular o voto em detrimento ao vencedor, pois os vencedor é sempre "a elite capitalista". Mas qual seria a proposta oposta ao voto? Bem seria aquilo que chama-se de um Congresso Popular ou Congresso do Povo, que para diversos sujeitos pode ser considerado utopia, no entanto, parte de uma viável possibilidade de construção, de baixo com os de baixo.

  Ao contrário do "anarquismo vulgar" representado no imaginário, essa proposta - que não é somente dos anarquistas e nem foi apresentadas inicialmente por eles - ressignifica de forma discursiva e na práxis o que entendemos por política. Apresentando não uma demonização da política, ao contrário, se trata de um processo não alienado de construção política, onde o voto não seja capitalizado, mas se torne uma construção social continuada, sem a necessidade de representantes "iluminados", em um processo autogerido.

Isso só se torna possível se levarmos em consideração uma outra proposta, que envolve a autonomia político e jurídica de grupos emancipados do capital, nesse sentido o rompimento com o que está estabelecido é o primeiro passo para que essas propostas possam ser vistas como uma saída real, essa realização precisa ser praticada cotidianamente, em cada espaço possível.

Principalmente fora dos espaços institucionalizados, por diversas estratégias - politicas, economicas, culturais e sociais - compreendo que não se trata de alterar uma sociedade somente classistas, mas colonial, racista, machista e heteronormativa.

Lembrando que nenhuma passo pode ser dado a frente do povo ou de nós mesmos, mas sim passos lado a lado nessa construção alternativa. Nenhuma luta pode ser apêndice de outra, mas deve ser travada em sua totalidade contra as formas de opressão.