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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Porque Voto Nulo! - Por Companheiro Anarcormindense


Nos últimos dias tenho sido muito questionado a respeito de "Quem eu vou votar" ou "Quem eu considero o melhor candidato" e achei que tava na hora de escrever um pouquinho aqui. 
Bom como muitos, se não todos aqui sabem eu acredito no Anarquismo como ideologia e como forma de luta, o anarquismo ou socialismo libertário resumidamente é a negação de qualquer tipo de autoridade, seja ela religiosa, moral, estatal ou outra. 

E uma das propostas do socialismo libertário como forma de luta é o não voto ou voto nulo. Mas para que não pensem que "Eu não quero votar ou voto nulo porque sou anarquista apenas" ou que se "Eu não votar não posso reclamar durante 4 anos" eu quero esclarecer algumas coisas aqui.

Primeiro, não, eu não voto nulo somente por ser libertário, voto nulo porque não acredito na forma de política parlamentar e representativa que temos aí, voto nulo porque acreditamos que somos nós que sabemos nossas necessidades e que somos nós que temos o poder para transformá-las, através da autogestão, da ação direta e da não-representação, que ficam explicadas na imagem. Não quero aqui que pensem também que eu não concordo com nada das propostas dos candidatos, alguns até mostram propostas coerentes, contudo eu não vejo o porque de eu colocar alguém para me representar quando posso eu mesmo lutar pelas mudanças nas quais acredito. Uma frase que li uma vez e acredito bastante é a ideia de que "Votar significa abrir mão do próprio poder", quem da poder e legitima todos os representantes, seja na presidência, senado, governo e afins, são as pessoas quando votam e legitimam novamente essa velha forma de fazer política.

Acredito sim que exista gente que vote e lute, que exista gente que não vote e lute e também que tem gente que não vota e nem luta. Por isso acredito que somente votar nulo é muito vago e raso. Defendo o voto nulo não porque acho que todos deveriam não votar ou votar nulo e sim porque acredito que todos deveriam entender que não votar ou votar nulo pra poder optar por votar ou não. A abstenção do voto não é "coisa de anarquista" como dizem, é coisa de gente que já ta cansado da mesmice, cansado de eleger alguém pra lhe representar e mais e mais vezes saber de escândalos de corrupção, de coligações corruptas e muitos mais problemas. Mas aí me dizem "não são todos ou todas", sim é verdade, ainda existem aqueles que entram no parlamentarismo afim de tentar alguma mudança, porém, não acredito neles apesar de gostar pois entendo que não são as pessoas que estão corruptas e sim esse modelo representativo estatal que gera o problema. 

Segundo é que eu realmente não pretendo reclamar nos 4 anos, pretendo somente continuar lutando, continuar apresentando alternativas aos que precisam das mesmas e ouvindo as vozes dos que passam por todas as necessidades que o capitalismo gera.

Outra frase que me chama muito a atenção é essa "Nossas urgências não cabem nas suas urnas", isso se dá como verdade não só pelo modelo libertário de pensamento, mas também quando paramos pra pensar em toda a burocracia que existe no sistema.

Espero ter deixado claro e espero que leiam. Enquanto vejo as campanhas eleitorais eu continuo na outra campanha, a campanha dos que querem lutar por um mundo melhor de forma direta, sem alienação de ferramentas estatais ou burguesas.
Você é seu senhor, você é capaz de resolver seus problemas, através da união entre as pessoas muito mais poderá ser feito de verdade.


Texto de Companheiro Anarcormindense

sábado, 6 de setembro de 2014

A outra campanha



Existe sempre esse questionamento, se outra campanha é possível, se o voto nulo atinge sua objetividade e se não votar torna possível transformar nossa sociedade, nenhuma dessas estratégias terão efeito se antes de mais nada não prezarmos por uma construção política face a face, pela base, em trabalhos locais com pequenos grupos reunidos e trabalhando buscando alternativas. Nos obrigam a votar como se não tivéssemos alternativas, nos ensinam a escolher o menos pior.
Não podemos nos deixar levar por essas imposições, pois isso só nos aprisiona cada vez mais, se faz necessário acreditar em Outras possibilidades de luta, em uma outra forma de se fazer política, onde possamos de fato mudar as coisas ao nosso redor, onde a comunicação e a experiencia entre sujeitos seja mais importante que um papel ou número de série, não podemos nos render a esse mercado eleitoral que nos é proposto, precisamos construir nossa própria forma de fazer política.

Em 2005, o Exército Zapatista de Libertação Nacional[1], lança a Outra Campanha, uma iniciativa que visa construir uma política por baixo, pela base, ouvindo as entidades dos movimentos sociais e cada indivíduo, como um exercício de retomada e ação política direta. 

“O processo eleitoral começou e alguém virá dizer que nos apoiam e que irão resolver tudo. Nós afirmamos que eles não vão resolver absolutamente nada e nem os vemos trazer soluções, apenas problemas.” (EZLN, 2006)

A Outra Campanha compreende que um acordo entre os dirigentes não traz beneficio algum a população, ao povo pobre, ao pequenx produtorx, ax caboclx, ax indígena, ax negrx, pelo contrário, atrás das promessas de campanha escondem as artimanhas e os acordos estabelecidos com os poderosos.

O movimento Organização Popular – e outrxs – abraça essa ideia proposta pelo EZNL buscando construir uma política social pelo povo e para o povo de fato. Apresento alguns pontos modificados pelos quais concordo e deixo na íntegra a cartilha do movimento Organização Popular.

- Outra campanha, para convocar a luta e a organização popular, não para pedir votos, é o trabalho que nos mobiliza para fazer política. Porque a política não é assunto só para especialistas e representantes.

- Outra campanha para construir um povo forte, para unir os movimentos sociaisq eu lutam, para fazer política com as próprias mãos com independência em relação ao governo, ao partido, ao patrão, ao marido, ao homem branco, pelas decisões em assembleias populares e da luta popular pela diversidade e unidade.

- Outra campanha para que se rompa o grito abafado dos que são deixado de lado, para construir a participação popular onde o poder faz exclusão, para criar capacidade política pelos lugares de trabalho, estudo e moradia, fora das instituições burocráticas burguesas que prendem nossas pernas e aprisionam nossas almas. Pela cultura e os meios de comunicação comunitários.

- Outra campanha para construir poder popular, para acumular forças com democracia de base e tomar de volta a política dos corruptos, das oligarquias e dos grupos dominantes do poder. Para a derrocada da farsa política.


Essa outra campanha pauta-se em uma retomada do poder, como um escudo para as frustrações anunciadas por essa política perversa que insiste em ludibriar a população. A outra campanha, esse vontade se encontra no coração da população, pode ser sentido isso nas ruas, nas escolas, nas falas de todxs, mas a mudança não virar através de candidatxs messianicxs.

As populações em diversas partes da América latina já sentem a retomada do poder se aproximando, como uma onda, os ricos e poderosos temem esse momento, não podemos cair nas mentiras e nas enganações de políticos profissionais que se utilizam da nossa força para almejar votos, para ficarem cada vez mais poderosos e ricos.

No Maranhão, moradores expulsam candidatos, na periferia da cidade Manaus isso também acontece, a população já não aguenta mais as mentiras.

(Maranhão)



Não vote, retome seu poder! Uma outra campanha é possível




1. O Exército Zapatista de Libertação Nacional é um grupo paramilitar que levantou-se em 1995 em defesa do produtores rurais, indígenas, campesinos e camponeses na defesa das terras originarias contra as grandes empresas, é um movimento de cunho popular e revolucionário, que investe em educação popular, autogestão, autodeterminação popular e empoderamento como estratégias de superação capitalista. É um movimento anticapitalista e de origem majoritariamente indígena.




sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O sufrágio como uma farsa institucional!



O sufrágio, de acordo com o dicionário é o direito ao voto, também pode significar adesão e aprovação, direito de eleitor, para outros dicionários seria voto emitido para a eleição de um candidato. Em termos gerais o nosso voto elege um representante com o qual compactuamos em ideia, que nos representa em um determinado campo político. Em um sindicato ou grêmio estudantil o voto é emetido na escolha de representantes que assumirão cargos administrativos para a organização das atividades da associação, em termos gerais, nas eleições estaríamos elegendo representantes que administrariam ações políticas em prol da gente.

Em todos os casos essa escolha implica juridicamente, que os legisladores do país – e somente eles – poderiam propor mudanças jurídicas e legislativas referentes à nossa vida cotidiana, leis e normas que deveriam ser respeitadas e que deveriam referir-se a vontade geral da população. Falo em termos vagos, pois politicamente são ações amplas tomadas por esses “representantes”.

Somente esses representantes tem o poder de propor leis, emendas constitucionais e agem dentro de uma norma política separada de outros cidadãos comuns, somente essa separação já seria o suficiente para colocar em xeque o que se acreditar ser democracia, para além disso, temos casos de corrupção, de conchavos e de traições em relação a vontade geral da população.

O que temos na verdade é um conjunto de “representantes”, em sua maioria, tão afastados das demandas da população, que realizam acordos entre si para quem mantém-se nas esferas políticos burocráticas do Estado, para dessa forma manusear o fluxo do capital em proveito próprio, aumentado a miséria humana e as desigualdades sociais.

Em uma análise prévia a culpa recairá sobre os indivíduos eleitos, mas não é só eles, existe uma estrutura social estabelecida, pautada em um modo de produção, que perpetua as desigualdades sociais presentes em nossa sociedade e instrumentaliza a violência para a manutenção de uma ordem social perversa, onde os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

Essa estrutura ou sistema procurar perpetuar o lucro e manutenção de determinados poderes – de classe, de gênero e étnicas – de um grupo pequeno de dirigentes, isso se reflete na diferença de riquezas e no déficit de distribuição de renda na sociedade, estabelecido por um mercado financeiro que dita regras comerciais e o fluxo da riqueza de formas internacionais.

Impondo dessa forma suas vontades e suas regras, o Estado é esse comitê dirigente da classe dominante, para tanto as instituições que o compõe, compactuam com seu modelo de administração e validam legalmente a miséria humana.

Dessa forma não adianta mudar os sujeitos, se o modelo Estatal permanece como sendo essa figura autoritária que esmaga centenas de mulheres e homens na sociedade, que destrói nossa natureza, que brutaliza nosso ser, essa organização que favorece o capital se perpetua mesmo nos “representantes políticos” que tomam posturas socialistas – ou pelo menos dita socialista – pois sua estratégia de inserção no Estado para modifica-lo se torna mais falha, ainda mais em um mundo globalizado em que vivemos, em que as fronteiras entre nacional e internacional se tornam cada vez mais frouxas e a face maligna do capital se apresenta cada vez mais presente.

É obvio que uma revolução socialista não acontecerá pelas urnas, o sufrágio é apenas uma farsa institucional que engana o povo, que iludi as populações étnicas que foram massacradas por esse mesmo Estado, não há acordo possível e de bom grado cedido por aqueles que detém o poder.


Precisamos tomar de volta o que nos foi roubado e usurpado desde que nascemos, empoderar-se é necessário.





quinta-feira, 4 de setembro de 2014

NÃO VOTAR ou VOTO NULO


Maria Lacerda de Moura já dizia há mais de um século atrás “[...] essas revindicações não se podem limitar a ação caridosa ou a um simples direito de voto que não vem, de modo algum, solucionar a questão da felicidade humana..” (MARIA LACERDA)

A fala dela me faz pensar, em dois pontos, primeiramente na ação caridosa que o Estado toma em relação aos movimentos sociais – de minorias – dentro do país, um discurso reacionário colocaria os movimentos sociais como vilões que realizam acordo com o Estado para receber a caridade dos poderosos, mas não se trata disso, o que ocorre são estratégias sofisticadas do comitê executivo empresarial para manter uma coesão social para que o capital possa manter-se em livre circulação. E o segundo ponto é a farsa do sufrágio como prática possível de transformação social

Maria Lacerda já havia percebido deste muito tempo que essas ações caridosas são apenas estratégias para docilizar os movimentos sociais, fingindo incorporar ao Estado suas pautas e defendendo o que deveria ser obvio, no entanto, mais que uma tática se torna uma pratica incorporada dentro de nossa subjetividade, que acomoda e normaliza a dominação presente na sociedade.

Criando dessa maneira a incapacidade de saídas do plano estabelecido pelo Estado, que se configura em mandatos de representantes do povo de 4 em 4 ano, representantes esses que se afastam tanto da realidade da maioria da população e que se perdem na lógica burocratizada do próprio Estado.

O sufrágio proposto pelo voto não se realiza se as questões básicas de existência da população não podem ser respeitadas, estas não seria por conta de uma gestão ou administração falha, não existe isso, pois a lógica capitalista não respeita e nunca ira respeitar as condições básicas de existências dxs trabalhadorxs, das mulheres, dxs negrxs, dxs indígenas.

A eleição é um circo armado, onde somos obrigadxs a votar, em um mesmo conjunto técnico político – de candidatos – que mantém a ordem vigente e reproduz o discurso dominante é uma farsa no sentido que não representa de fato a vontade do povo, pois ela não se personaliza em pessoas, a vontade do povo existe na experiência cotidiana de trabalho e de organização social, por mais que um candidato a assumir um cargo possa dispor-se a dialogar com a população, este será um articulador dentro do Estado e será a voz do Estado e não da população.

“Nas eleições o voto não serve para emitir uma opinião, mas para legitimar um mandato” (VIDAL, 1986)

Por isso o desespero para que não se vote nulo, sabemos que não se pode anular uma eleição apenas votando nulo, não se trata disso, se trata de realizamos a chamada para um processo de conscientização política, se trata de abandonar as práticas estabelecidas pela classe dirigente, que come bem, dorme bem e vive bem a custa da nossa existência na miséria.

Em diversos estados da federação a campanha do voto nulo e de não vote vem sendo silenciada e atacada por sendo uma inutilidade, mas o voto em si se torna anulado quando não há a participação popular ao longo do ano inteiro na política, quando nos é negado os direitos básicos, a educação e a saúde de qualidade, quando manifestantes são criminalizados em plena democracia.

Não há saídas para capital dentro do Estado, mesmo uma parlamento repleto de funcionárixs públicos socialistas, se perpetuarem a prática do Estado, estarão perpetuando uma lógica autoritária, precisamos retornar as bases de trabalho, em uma democracia face a face, cotidiana, em cada ato produtivo que tivermos pensarmos coletivamente e conjuntamente.

As eleições como podem ver são acordos e conchavos entre lobos, escolhendo quem vai atacar o rebanho e de que forma nas próximas eleições.


Não pretendo me estender mais que o necessário, mas deixar um recado se faz necessário, não deixem que roubem da gente nossa capacidade de agir politicamente, ela nos pertence, precisamos exercer nosso voto cotidianamente e não em urnas, nossa visão de mundo e política precisa ser transformada por um ideal mais amplo.


domingo, 27 de julho de 2014

E de novo o voto ou bala!


Esse texto foi inspirado em um discurso proferido por Malcom X, em 1964, em que ele defendia o nacionalismo negro em um encontro, em seu discurso de Malcom X aponta diversos motivos por que os negros do Estados Unidos precisam definir sua políticas, sua economia e afirmar sua cultura, porque o extermínio negro não iria parar até que o próprio povo negro se levantasse brandido por liberdade.

"Cantar não adianta, não é momento para cantar é o momento para brandir!"

Malcom X chama atenção para as diferenças dentro do movimento negro, das particularidades vigentes por conta de religião, visão políticas e culturais, mas ela chama atenção que é necessário que essas diferenças permaneçam desde que possam garantir uma união de todos os negros.
Ser negro nesse sentido se torna aquilo que colocar todos nós em um mesmo patamar, não importa nossa posição social ou diferenças religiosas e culturais, ser negro não é fácil dentro dessa estrutura política estabelecida pelo homem branco,.

Não acredito em Nacionalismo, esse tipo de organização construída pelo europeu branco que inventa uma realidade que não existe, eu acredito nas minhas irmãs e irmãos negros, nos meus ancestrais negros que foram arrastados de suas casa e escravizados, acredito no sangue ancestral indígena que corre pelas minhas veias que foi massacrado por esse espírito nacionalista e ainda o é

Nossa luta não é por uma independência, mas pela autodeterminação, nesse sentido não se pode pensar em romper um Estado tendo em vista outro Estado, isso apenas perpetuaria a própria opressão existente e desigualdades estabelecidas pelo processo de particionamento. Não desejo ser em parte, quero pode ser em todo!

Para tanto se faz necessário compreender que autodeterminação significa muito mais que independência, significa assumir as rédeas do seu destino sem a intromissão de outros, não individualmente, mas coletivamente, mantendo a possibilidade do dialogo e do combate aberto.


O diálogo nessa estrutura é apenas outro mecanismo de combate, enquanto essa estruturas vigente estiver estabelecida nos corações das pessoas, estaremos fadados a uma competição cíclica que só se rompe com as crises da própria estrutura. Não queremos mais que isso, não queremos que decidir mais entre a bala ou o voto, queremos poder ser em todo.

O que significa ser em todo, significa estar-se em equilíbrio entre a coletividade e a individualidade possível, mas nesse discurso Malcom X, nos indica que ou o povo negro começa a votar em seus representantes ou teremos que utilizar as armas para enfrentar o inimigo.

Em nosso caso ainda pior, estamos cercados por um Estado que coptou e aprisionou certa parcela dos movimentos sociais em sua estrutura, docilizando através da burocracia movimentos outras potencialmente revolucionários, a bala já foi disparada contra todxs nós, nosso voto não vale nada, essa democracia representativa não nos apresenta resposta.
“Nós precisamos de um programa de ajuda, um programa... uma filosofia faça você mesmo, uma filosofia do faça agora mesmo, uma filosofia já está muito tarde. É disso que você e eu precisamos, e a única hora... o único jeito que temos para resolver o problema é com um programa de auto ajuda. Antes de conseguir começar um programa de autoajuda nós precisamos de uma filosofia de auto ajuda”

Para Malcom X essa filosofia seria o nacionalismo negro, para mim essa filosofia se trata de um comportamento anticapitalista, o que significa isso, se trata de romper com o modo de vida estabelecido para nossa gente,  não falo de abandonar emprego e aventurar-se em uma terra perdida como muitos pequenos burgueses pensam que seja, nem falo da extinção da moeda – apesar de achar bem vinda – falo de uma filosofia de enfrentamento.

Esse enfrentamento passa pelo processo de auto educação, precisamos retormar a responsabilidade de educar nossas crianças e de aprendermos com elas, o empoderamente infantil faz parte desse processo anticapital, precisamos romper com a mídia, com os produtos, com a vida em si, isso não é tarefa fácil. Auto educar-se significar refletir sobre o mundo de outra forma.

Essa auto-educação só é possível conjuntamente, essa possibilidade de inteligência coletiva proporciona que possamos atingir nossa capacidade de identidade coletiva, essa identidade individual que se equilibra com que é coletivo, em constante processo de transformação, dessa identidade que falo, para que possamos atingir a Autoderteminação necessária para possamos superar o capital.

O que falo aqui é de um comportamento anticapital, mas o capitalismo em nossa era atravessa nosso corpo, não é invisível, ele se encontra em cada um@ de nós, dos fios de nossos cabelos as unhas do pé, ele é um demônio que fala baixinho e nos engana a todo momento, esse comportamento anticapital se depara como disse com o rompimento.

Romper significar não acatar as ordens de um estado que apenas nos explora, que nos violenta e que perpetua a escravidão dos nossos corpos, não há acordo justo quando uma das partes pode atirar em você, pode sumir com seu corpo, pode humilha-l@, pode aprisiona-l@, criminaliza-l@s e a outra se quer tem acesso à alimentação.

Um viaduto cai e tudo bem, 27 pessoa são presas por nada e tudo bem, lideranças indígenas são mortas no centro do país e tudo bem, pois os ditos representantes são cuidando do que? De nossas vidas e quem lhe deu esse direito? Se não foi acordado, o que houve? Houve a usurpação de nossas vidas, nossa liberdade, nossa existência.

Enquanto houver esse Estado burguês, patriarcal, racista não haverá uma mulher que possa viver em paz, nenhuma negra poderá viver em paz, nenhuma mulher pobre poderá viver em paz, pois a paz virou um negocio entre ricos, uma negociação entre aqueles que usurparam tudo da gente.

“Por que parece que vai ser o ano do voto ou da bala? Porque os negros perceberam a malandragem, e as mentiras e as falsas promessas do homem branco por tempo demais. E eles estão de saco cheio. Ele se tornaram desencantados, Eles se tornaram desiludidos. Eles se tornaram insatisfeitos, e tudo isso construiu frustração na comunidade negra, o que faz a comunidade negra por todo os EUA hoje mais explosiva do que todas as bombas atômicas que os russos podem inventar.” (Malcom X)

O que Malcom X afirma nesse trecho de seu discurso reflete nossa situação, não há como acreditamos em uma eleição traidora, que negocia nossos votos em troca de comida, isso mesmo, eles roubam nossa comida e nos vendem, não podemos acreditar em uma eleição que somos obrigados a votar através de armas invisíveis, muito interessante que o exercito seja chamado para garantir a “ordem” nos dias de eleição.

O que é preciso entender é que todo ano, todos os dias desse ano, em todas as horas, para quem é negr@, quem é pobre, quem não branco, hetero e homem, todas as horas são horas do voto ou da bala, pois somos alvos dos prazeres dos mais poderosos e ricos.




Isso mesmo, eles detém suas armas apontadas para tod@s nós e não há momento de paz para gente, que seja então, recusar-se a votar, votar em nulo é apenas um passo, que é preciso é refletir, cada  “representante”eleito é um inimigo que ursurpa nosso direitos, que nos silencia, precisamos retorna a democracia direta, em ações direta, com a valorização de nossa cultura e educação.

Precisamos ser totalmente e não em parte. Essa ano, em 2014, depois de todas as mentiras contadas os políticos irão vir até nós novamente, prometendo e nos amedrontando com o pior quadro possível em que somente eles poderão resolver, novamente como todos os anos o fazem, mas esse ano as coisas estão mais difíceis, estão difíceis a grande mídia inventa antagonistas, que inventa inimigos públicos e aprisiona manifestantes em plena democracia, o interessante que dois garotos morrerem no rio de janeiro não é radical é normal, enquanto organizar uma passeata se torna um ato radical.

São esses mesmo políticos que se calam, que nos silenciam que aprisionaram essas pessoas, que aumentam a população carcerária a cada ano, com cada vez mais de negros e de mulheres, esse é o programa e plataforma política deles para a gente, a prisão, a morte, a bala. 

E ainda nos pedem seu voto, ou votamos ou receberemos a sua bala em nossa face.

E de novo ou é o voto ou é a bala!







Texto de Inspiração

Acontece esse domingo o I Alter Nativo


Esse domingo acontece o primeiro Ater Nativa Rock, evento promovido pela Banda Resistência 92, ocorrerá no bairro de Petrópolis a partir das 14 horas, com as bandas Boomerang Blues e Cabaret Voltaries, a iniciativa visa construir um espaço musical alternativo nas tardes de domingo bem como possibilitando a construção de um espaço de encontro no bairro de Petrópolis, em Manaus.

Não nos querem aqui! Existir é Resistir! – Não sou homem/branco/burguês – Reflexões a respeito dos espaços sociais dentro de uma Universidade no Amazonas e da luta contra o modelo hegemônico


A educação se torna parte essencial para o desenvolvimento do modelo eurocêntrico de produção capitalista/patriarcal, estabelecendo e elegendo determinados tipos de conhecimento a serem desenvolvidos formalmente por todos os sujeitos em todas as partes do mundo, os processos totalitários de mundialização, estabelecidos pelas formas da economia financeira, tornam o conhecimento/instrução como parte integrante de um processo disciplinador, para a reprodução de seus mecanismos opressores e autoritários.
Em outras palavras, as escolas, centros técnicos, faculdades e universidades, manuseiam a instabilidade social inerente às relações conflituosas entre aqueles que detêm e aqueles que são despossuídos, para além da luta de classe, essas instituições também reproduzem normatizações que visam controlar e engessar diversas formas de gênero, sexualidade e cultura que a sociedade apresenta.

A Universidade se torna um espaço social de reprodução de técnica de conhecimento e de validação da realidade, buscando dessa forma ditar o que é real e o que não é, seu processo disciplinante segue a mesma lógica competitiva – pilar da sociedade patriarcal/capitalista – a partir de um exame nacional que cerceia  80% de sua demanda que almeja adentrar na Universidade Pública. Para tanto, o Estado cria mecanismo de transferências de recursos públicos para a iniciativa privada, tendo como ponto de partida programas que são essenciais para que os sujeitos possam adentrar ao mercado de trabalho.

O ensino técnico torna-se parte essencial do tipo de governabilidade que tenta conciliar o inconciliável, abrindo concessões que prejudicam e empurram os sujeitos para um determinado modelo de produção, desde o ensino fundamental até em todas as etapas do ensino superior.

No entanto, isso não ocorre de maneira explícita, essa ação se inicia como um processo de controle comportamental em massa, desde a tenra idade até a vida adulta, quem sofre com esse tipo de educação é a população negra e indígena, que tem castrada a possibilidade de construção de uma identidade ancestral dentro desses espaços, nesse sentido, mesmo com medidas – leis, decretos, políticas públicas, investimentos – disciplinas voltadas para a cultura afro e indígena são raríssimas. Na Universidade essa preocupação é colocada em segundo plano sob a desculpa que o conteúdo a respeito de nossa ancestralidade é perpassado dentro de muitas disciplinas sobre o estabelecimento do conhecimento no Brasil, essa mentira apenas coloca na ignorância um país em que 50% da população é negra.

Enquanto isso, as mulheres sofrem cotidianamente assédios por parte de professores e colegas, sem que se tomem medidas sérias para a desconstrução do modelo patriarcal, isto é, as mulheres são estupradas, assediadas, silenciadas e agredidas sem que essa violência cotidiana seja dada a devida importância, lhe é negada também o conhecimento da história das mulheres, já que não há uma preocupação em criticar o modelo de mulher estabelecido por essa sociedade, pelo contrário querem violentar as mulheres simbolicamente, apesar de número de mulheres ser bem maior do que de homens na Universidade.

A exclusão de conteúdos pedagógicos que envolvam debates a respeito da homossexualidade, transsexualidade, de gênero e de transgênero é repudiado em todas as etapas da educação, construindo um processo de invisibilidade social e incapacitando a construção de dialogo.

Ocorre na verdade que essa sociedade patriarcal/branca/capitalista criou as regras do jogo em que nós devemos nos adequar - e muitas vezes morrer tentando se adequar-, pois não são espaços seguros paras mulheres, não são espaços seguros para negros, e não são espaços seguros para homossexuais e transexuais. Mesmo com um programa de cotas que deve ser defendido, o racismo inerente se perpetua, através de um conjunto intelectual branco que manuseia simbolicamente o conhecimento.

Dessa forma a Universidade deveria ser o espaço de liberdade e democracia direta, no entanto, temos apenas um espaço de reajuste social de todos os sujeitos, esse espaço não garante para a classe trabalhadora nenhum ganho de fato, pois a intelectualidade branca burguesa manuseia o conhecimento para colocar trabalhadores contra trabalhadores, mulheres contra mulheres, negros contra negros, sendo o celeiro ideológico que valida as diferenças sociais, mas não reconhece a necessidade das particularidade sociais dos grupos que atuam na sociedade.

A Universidade, pelo contrário crias diversos mecanismos para dificultar e expurgar as personas não gratas quer seja através da incorporação metodológica burocrática, que ignora as experiências sociais da sociedade, quer seja através da perpetuação de preconceitos formalizados nos discursos dos senhores do conhecimento.

Metodologicamente, pois exige de tod@s o desenvolvimento de metodologia de estudos, pesquisa e de ação, método esse que busca separar o sujeito de um objeto tipificado ideologicamente, ou seja, reproduzindo os processos de alienação que se faz necessário para a perpetuação da realidade como dada. Já os preconceitos formais se apresentam na permicividade que essa intelectualidade procura manter, não reconhecendo as violência cotidianas que ocorrem nos corredores e nas salas de aula, esse não reconhecimento perpetua a construção de personalidades autoritárias.

Personalidade autoritárias que são constituídas de poderes especiais dentro do que é conhecido como campo acadêmico, que lhe permite verbalizar todo tipo de preconceitos sem que lhe seja questionada sua autoridade, não a toa no ICHL/UFAM temos relatos de diversas dessa autoridades que produzem e reproduzem preconceitos de classe, gênero, étnicos e sexuais, procurando dessa forma manter a ordem vigente.

Servindo de modelo social a ser assumido, perpetuando e validando comportamentos autoritários entre técnicos e estudantes, mesmo o mais obtuso dos sujeitos percebe que essa concentração de autoridade se encontra na figura do docente, que exerce sua posição a partir de uma hierarquia validada dentro do campo, onde o conhecimento é moeda de troca essencial para o desenvolvimento desse comportamento.

Enquanto isso, a permanências de pobres, mulheres, homossexuais, negros e indígenas nas Universidade Brasileiras é em si uma existência de resistência constante, de enfrentamento constante, pois esse espaço não é um lugar bem vindo para esses grupos sociais.

Nem mesmo nos espaços ditos “libertários” dentro da universidade esse espaço é garantido, pelo contrário, as existências de indivíduos advindos de outras classes sociais, procuram ser moldados e estrategicamente disciplinadas em um modelo de militância hegemônico, mantido pela categoria de homem/branco/burguês, não a toa no seio dessas lutas o movimento feminista procurar bater de frente contra todo tipo de autoridade que venha de impor seu modelo de ação.

Também não a toa, não se cria dentro do movimento estudantil branco/burguês modelos que possam permitir o acesso de estudantes advindo de classes sociais trabalhadoras e/ou adivindo, pelo contrário continua perpetuando mecanismos autoritários e modelos pré estabelecidos por personalidades autoritárias.
Na verdade, o modelo representativo de centro acadêmico perpetua um discurso burocrático, centralizador onde o dialogo é realizado de forma instrumental entre instituições e não entre sujeito e sujeito. Mesmo que se trate de grupos socialistas ou que ampla capacidade de comunicação, o modelo de movimento estudantil burguês se pauta na verdade em um modelo democrático representativo e não de democracia direta.

Nesse sentido a individualidade social possível se perde e transmuta-se em um serie burocrática que vira um documento a ser encaminhado para alguma instituição, enquanto isso os espaços de ação comunicativa são cada vez mais difíceis de serem estabelecidos.

As condições dadas pela conjuntura econômica neoliberal e neocolonialista fixa-se em um processo de individualização capitalista do conhecimento, onde existe uma carreira individual a ser defendida, em quanto as questões coletivas são deixadas de lado em prol de um necessidade de existência e permanência na Universidade.

Nesse sentido a assistência estudantil ao invés de ser um direito garantido, em nossa Universidade se torna moeda de troca  e mecanismo de lupenproletarização estudantil, incorporando ainda mais o sujeito a instituição para que dessa forma possa cercear qualquer os mecanismo de rebeldia, já que não há garantias de direito e exercendo seu poder sobre os estudantes.

Nessa complexa rede, o estudante que deveria ser o protagonista da Universidade, se torna na verdade o exercito de exploração para a validação que as personalidades autoritárias manuseiam como objetos, sem qualquer preocupação com o outro.

É nesse espaço opressor e altamente repressivo que @ estudante que procurar resistir de forma homérica para poder ter acesso ao conhecimento e procurar instruir-se, a sala de aula se torna o galpão de trabalho e a cela de torturas a serem suportadas pel@s estudantes que negam assumir esse modelo.

Ou seja, no espaço em que não foi feito para que ess@ indígena, trabalhador@, estudante, negr@s, homossexuais e pobre possam permanecer, ainda são cerceados de exercer qualquer outro tipo de comportamento que não seja adequado ao modelo vigente estabelecido.

Existir nesse espaço já é uma afronta e por isso todos aqueles que se encontra no modelo estabelecido pelo homem branco, pela classe burguesa, unem força contra tod@s aquel@s que questionam sua autoridade, estabelecem regras e normalizam práticas que vão de encontro à existência daqueles que não de enquadram no modelo.

Reagir a essa agressão cotidiana é único mecanismo que nós temos de desconstruir esse modelo, ação política direta dever ser exercitada cotidianamente do mesmo modo que a violência exercida sobre nós é rotinizada. A  reação daquel@s que são oprimid@s nesse espaço não pode ser vista como mera violência, trata-se de autopreservação e autodefesa, que aqueles que não concordam procuram deslegitimar constantemente.

A minha existência constrange esses sujeitos, o faz lembrar que existem pobres, que as mulheres são estupradas, que indígenas são assassinados e negr@s são escravizad@s ainda nessa etapa da “civilização”, eles festejam e incentiva quando um@ de nós se incorpora ao seu modelo e com a esperança que um dia as coisas vão mudar.

Esse espaço não vai se modificar se assumirmos a ética e o comportamento estabelecido, é preciso criar outras maneiras de relacionar-se e existir, quebrar o silêncio das violências sofridas, romper com a falsa paz entre sujeitos de classes tão diferentes que exercitam seu comportamento autoritários sobre outras pessoas.
Por mais companheiros que pareçam ser, na hora do enfrentamento eles se colocarão lado de sua classe, por isso os técnicos são silenciados depois de um greve que já dura mais de 40 dias, por isso homens atacam mulheres dentro do campus, por isso que piadas racistas são permitidas, por isso que atitudes autoritárias são perpetuadas dentro de sala de aula.

Pois NÃO NOS QUEREM AQUI, NOSSA EXISTÊNCIA OS INCOMODA CADA SURPIRO COMPARTILHADO É UMA AFRONTA AO SEU MODO DE VIDA, POR QUE NÃO SOMOS HOMEM/BRANCO/BURGUÊS.


Não é preciso de um movimento unificado, acredito na particularidade e na pluralidade, na capacidade de manter as diferenças quando essas nos tornam únic@s e reforçam nossa identidade. Bem como constituir aproximação quando estas fortalecem a derrocada das formas de opressão que sofremos.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Perseguição e Criminalização Política


Não é de hoje que a grande mídia constrói fatos políticos visando incriminar e desqualificar os movimentos sociais, nos últimos meses temos relatos de operações surpresas, em universidades, em sedes de sindicatos e de movimentos sociais, visando o desenvolvimento de escândalos através da criminalização de protagonistas e entidades que aliadas a causas populares estão disposta a não permitir mais injustiças sociais.

Do mesmo modo, que em outros momentos históricos de ebulição política, onde movimentos libertários, anarquistas, socialistas, feministas, negros e indígenas eram colocados como sendo os criminosos, os fora da lei, o termo vândalo se tornou recorrente no espaço cotidiano de conversas, principalmente por conta de uma super produção midiática, não cansada de intensificar uma campanha publicitária falida para demonstrar uma copa fantasia de um país que não existe, passa abrir espaço para diversas operações voltando-se tendo como objetivo criminalizar as lutas legitimas dos movimentos sociais.

Aliado a isso, temos instituições governamentais trabalhando de todas as formas para aprovar ementas e investigações que visam liquidar com o conflito inerente que essa Copa ocasionou, diante de uma sociedade cada vez mais forte e que compreende os processos de exclusão construídos por esse mega eventos, as contradições entre "o padrão FIFA" e a realidade brasileira, desperta a revolta no coração de tod@s.

Durante a greve dos rodoviários que atingiu São Paulo, os canais reproduziam a todo instante noticias sobre a paralisação, tendo como vítima a população e como vilões "dissidentes" do sindicato, que pararam as atividades de modo ilegal, esses "dissidentes" pararam 90% da frota, mesmo assim os canais midiáticos mantinha seu posicionamento criminalizando os trabalhadores e tentando jogar a opinião pública contra estes, depois do terceiro dia de paralisação, os veículos da grande mídia passaram enaltecer as tentativas de negociação dos empresários e do prefeito de São Paulo.

Bem como os indígenas no Distrito Federal que lutavam pela continuidade da demarcação de suas terras, os professores no Rio de Janeiro onde até mesmo o Batman saiu ferido, das fortes pancadas que levou. A demonstração de força militar despenhada pelas forças de segurança contra a população passa dos limites.

Somente para o Amazonas foram gastos mais e 1 bilhão em investimentos para  "proteção da copa".

Além desses recursos o Estado utiliza do monopólio legitimo da violência para investigar e encarcerar os movimentos sociais por todo o país, desde o MPL, que esta tendo tod@s @s participantes investigadas, até mesmo a prisão de 4 jovens por organizarem protestos em Goiânia.

Presos em uma operação chamada "2,80", em um claro recado a tentativa de protestos contra o aumento das tarifas no ônibus e possíveis tentativas de organização dos movimentos sociais para fazer protestos diante a esses conjunto de violência exercida pelo Estado contra sua população.

A perseguição politica desempenhada segue o medo de uma revolta popular eminente, onde a população empodera-se e busca parar com o fluxo do capital, isso atemoriza, não pela possibilidade de uma revolução, mas pela demonstração de falta de controle estatal sobre suas forças de produção, tod@s nós. Nesse sentido que CAAM, apoia a campanha, LUTAR NÃO É CRIME, a busca por reconhecimentos de direitos e pela emancipação é um direito social estabelecido a tod@s e não pode ser negado, nem mesmo impedido, o levante popular tomará as ruas e irá preencher de medo o coração da burguesia.

Tendo em vista esses fatos, segue a nota da FRENTE DE LUTA GO SOBRE CRIMINALIZAÇÃO DA LUTA POPULA EM GOIÂNIA


Todo o nosso apoio aos militantes e a luta popular, a emancipação não espera e a revolta popular é o caminho de nossa libertação.





quinta-feira, 8 de maio de 2014

Putinhas Aborteiras


"Pra ser putinha  não precisa de carterinha, ninguém nos policia. NÃO VAMOS ANDAR NA LINHA!"
"É triste ver que no meio anarquista têm homens que não se ligam com atitudes machistas"


Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=yv0INvCVtHM#t=109

"La Primavera Libertaria" em Havana, Cuba.



"O anarquismo é muito mais que uma simples atitude de rechaçar a exploração em qualquer de suas facetas, não é uma doutrina, nem um rótulo, mas uma concepção de vida onde o indíviduo se auto realiza com base na liberdade, alcançado por sua consciência e formação cultural, a partir da reflexão e do aprendizado mútuo" Colectivo Salud Antiautoritária (CHILE) 

Dia 11 de Maio se inicia um encontro em Cuba, intitulado "Primavera Libertária", que visa fomentar e debater a respeito das possibilidades do anarquismo. Entre os debates construídos estarão questões como Alimentação e Responsabilidade, A história do Anarquismo em Cuba, Sindicalismo Libertário, Arte e Anarquismo, a Luta Anarquista, entre outros temas. 





Domingo, 11 de Maio, 3:00 pm

Palavras Inaugurais: Onde, por quê e para quê uma Primavera Libertária?

Círculo de Diálogos: Como e por quê me afirmo anarquista (ou meu anarquismo e de meus/minhas amig@s) Experiências.

Apresentação da compilação digital "El anarquismo en Cuba, huellas e recuperaciones".

Domingo, 18 de Maio, 10:00 am

Alimentação e responsabilidade (como reproduzimos nosso próprio câncer)

Círculo de diálogo sobre o livro Comida permacultural y la obra de la permacultora Ing. Myriam Cabrera Vitre.

Sessão de elaboração e degustação de pratos permcaculturais

Sexta,  23 de Maio, 5:00 pm
Círculo de diálogo: ¿Qué Le há hecho la anarquia al arte y el arte a la anarquia?

Apresentação da compilação digital “Terrorismo poéticos y otras artes sublimes”

Realização do Vídeo-cadáver esquisito: “yo también soy um opressor...”
Sessão de “Ação Direta Musical!”


Sábado 7 de Junho, 10:00 am

Uma trajetória de anarquistas em Havana

Almoço libertário





Fonte: http://observatoriocriticocuba.org/2014/04/30/1a-jornada-primavera-libertaria-en-la-habana/#more-5850

domingo, 4 de maio de 2014

A crítica à cultura de massa como instrumento alienante a partir de Emma Goldman. (Maioria vs Minoria)



Emma Goldman inicia seu artigo chamando a atenção para os processos autoritários construídos por um Estado para validar o poder de políticos, ou seja, de uma minoria que detém o poder social, sobre uma maioria destituída de poderes.

Na política, somente a quantidade importa. Proporcionalmente a esse aumento, porém, os princípios, os ideais, a justiça e a honradez são engolidos por um mar de números. Na luta pela supremacia, os vários partidos se superam em mentiras, fraudes, astúcias e tramas duvidosas, seguros de que, aquele que obtiver êxito será aclamado pela maioria como vencedor (Goldman, p.124 , 2008)

Nesse processo de construção de massa, há uma crítica subjacente tanto aos mecanismos de comunicação de massa como as estruturas de validação do poder dentro dessa sociedade burguesa, nesse sentido as eleições para Goldman, não passam se espetáculos arquitetados por partidos políticos na intenção de ludibriar e alienar a população em geral, para tanto constroem –se demandas através de uma cultura de massa vulgarizada, onde o consumo e a quantidade são colocados como princípios artísticos de sucesso, uma espécie de drama social constituído para que a população possa consumir e produzir sem questionamento, alienando a individualidade e a criatividade nas relações culturais.

Esses dramas sociais são costurados através de estruturas burguesas que permitem o livre trânsito de seus produtos subjetivados, que apenas reforçam os processos de exploração social, em contra partida os produtos subjetivados fora das estruturas burguesas, não encontram espaço para circulação dentro da massa, ficando a mercê de circuitos marginais. Dessa forma a marginalização simbólica de ideias coloca dessa forma uma maioria que compartilha valores comuns de modo antagônico a uma minoria que procurar resistir, mas que cedo ou tarde será esmagado, pois as estruturas de validação do poder – os partidos políticos – se utilizarão dos instrumentos de alienação em massa, para a produção de uma falsa realidade.

Nesse sentido os mecanismos de alienação são constituídos a partir de ruptura entre empoderamento individual e prol de uma falsa representatividade, onde os partidos políticos procuram engendrar mecanismos de perpetuação do poder que possam cumprir a necessidade da maioria, mas mesmo os programas mais socialistas quando entram na lógica democrática do estado burguês irão necessitar fazer concessões, nesse sentido à concessão é feita em relação aos explorados, para Goldman esse processo político não representa a usurpação do empoderamento individual em prol de uma empoderamento massificado, onde o voto é moeda de troca necessária para a validação do poder.

Goldman exemplifica sua concepção através de exemplos na educação, na política e na arte, onde o consumo do que é massificado acaba por oprimir a minoria, marginalizando os pensamentos autônomo ou discordante.
Hoje, como antes, a opinião pública é o tirano onipresente; hoje, como antes, a maioria representa uma massa de covardes ansiosa para aceitar aquele que espelhe miséria de sua própria mente e alma. Isso explica ascensão sem precedentes de um homem como Roosevelt . Ele encarna o pior elemento da psicologia do populacho. Como político, ele sabe que para a maioria pouco importam ideais ou integridade. O que ela exige é o espetáculo. Não importa se é uma exposição de cães, uma luta por prêmios, o linchamento de um ‘criolo’, o cerco a algum infrator insignificante, o casamento de alguma herdeira, ou as palhaçadas de algum ex-presidente. (Goldman, p 127-128, 2008)

A cultura de massa produzida pela sociedade capitalista esta radicalmente relacionada com a produção do poder na modernidade, nesse sentido através de espetáculos constantes procurasse alienar a população, bem como repassar seus ideais a grande maioria, par que possa ser introjetados em suas subjetividades, ao ponto que passem a ser seus. Essa dupla funcionalidade da cultura de massa se expressa em programas, novelas, produtos artísticos, em comédias e tragédias cotidianas.

Os veículos de comunicação, bem como produtores visam o lucro, do mesmo modo que os políticos visam o voto, para tanto que forma mais sofisticada de controlar uma população explorada que torna-la uma massa uniforme que não pensa e imersa em uma realidade falseada e tendenciosa. Esse construção de cultura de massa só é possível pela própria miséria humana nesse sistema de exploração que visa oprimir as minorias, para tanto se criam espetáculos totais, como eleições, copa do mundo, big brothers, novelas, blockbusters, para dessa forma criar uma realidade rompida entre os sujeitos, eliminando o processo de reflexão.

Goldman chega à conclusão de que a culpa da miséria se dá pela maioria que tratora as minorias, sua crítica à sociedade de massa se dá não pela falta de consciência de classe, mas por uma alienação de massa que visa integrar as consciências individuais, que se realiza na perpetuação do poder estabelecido.
Sua crítica é ao conceito de massa como um fenômeno uniforme que não possui reflexão sobre a realidade, assumindo na verdade o que é ordenado pelas estrutura vigente de poder.

Como massa, seu objetivo foi sempre uma vida mais uniforme, cinzenta e monótona, como deserto. Como massa, será sempre o exterminador da individualidade, da livre iniciativa, da originalidade (Goldman, p 132, 2008)

Censurando os mecanismos de massificadores da sociedade que visam abafar as possibilidades da individualidade do sujeito, no entanto não fica claro se sua relação é voltada o poder popular, mas remete a construção do empoderamento social através do enfrentamento a comunicação de massa e as estrutura de validação do poder baseadas na quantidade.
Pode-se entender que Emma Goldman sugere outro tipo de organização social que rompa com os valores capitalistas estabelecidos, que não seja pautada por uma quantidade, mas por uma qualidade de consciência e pensamento. E que isso só poderá ser alcançado a partir de organização de minorias sociais, ou seja, valorizando a individualidade, nesse sentido sua proposta se aproxima de um pluralismo social em que possa existir um diálogo face a face e relações esclarecidas entre os sujeitos.
Sua crítica é contra uma massa compactada, que subjulga o espírito humano e que nunca lutou pela justiça e igualdade.


Goldman, Emma. Maioria vs Minoria. Verve, N 13, 2008.

CINEMA RESISTÊNCIA - Núcleo Anarquista Resistência Cabana


No dia 15 de Maio,  NARC e CALEM promovem na Universidade do Pará, o filme Blac Block, um documentários que narra as manifestações conta a reunião do G8 na cidade de Gênova(Itália), em Julho de 2011.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Depoimentos

1964 NUNCA MAIS
“Eram mais ou menos 2 horas da manhã quando chegaram à fazenda dos meus sogros em Nova Aurora. A cidade era pequena e foi tomada pelo Exército. Mobilizaram cerca de setecentos homens para a operação. Eu, meu companheiro e os pais dele fomos torturados a noite toda ali, um na frente do outro. Era muito choque elétrico. Fomos literalmente saqueados. Levaram tudo o que tínhamos: as economias do meu sogro, a roupa de cama e até o meu enxoval. No dia seguinte, fomos transferidos para o Batalhão de Fronteira de Foz do Iguaçu, onde eu e meu companheiro fomos torturados pelo capitão Júlio Cerdá Mendes e pelo tenente Mário Expedito Ostrovski. Foi pau de arara, choques elétricos, jogo de empurrar e, no meu caso, ameaças de estupro. Dias depois, chegaram dois caras do Dops do Rio, que exibiam um emblema do Esquadrão da Morte na roupa, para ‘ajudar’ no interrogatório. Eu ficava horas numa sala, entre perguntas e tortura física. Dia e noite. Eu estava grávida de dois meses, e eles estavam sabendo. No quinto dia, depois de muito choque, pau de arara, ameaça de estupro e insultos, eu abortei. Depois disso, me colocaram num quarto fechado, fiquei incomunicável. Durante os dias em que fiquei muito mal, fui cuidada e medicada por uma senhora chamada Olga. Quando comecei a melhorar, voltaram a me torturar. Nesse período todo, eu fui insultadíssima, a agressão moral era permanente. Durante a noite, era um pânico quando eles vinham anunciar que era hora da tortura. Quando você começava a se recompor, eles iniciavam a tortura de novo, principalmente depois que chegaram os caras do Dops. Durante anos, eu tive insônia, acordava durante a noite transpirando. De Foz, fomos levados para o Dops de Porto Alegre, onde houve outras sessões de tortura, um na frente do outro. Depois, fomos levados de volta para Curitiba, onde fiquei na penitenciária de Piraquara. Quando finalmente fui para a prisão domiciliar, que durou quatro meses, eu sofri muito, fui muito perseguida e ameaçada. Recebia telefonemas anônimos, passava noites sem dormir.”

Depoimento de Izabel Favero, ex militante do VAR-Palmares,  era professora quando foi presa em 5 de Maio de 1970, em Nova Aurora. Hoje vive em recife (PE), onde é professora de Administração