Primeiro ponto, toda aliança baseada no medo e no terror é
apenas uma esperança vã de derrotar o inimigo, apenas uma boia de chumbo para
quem não consegue nadar. Desde 2014 tenho visto através de redes sociais, da
internet e dos periódicos socialistas os argumentos de uma “necessária aliança
temporária”, quer seja para impedir o avanço da direita ou a retomada de um
partido de direita a direção do comitê executivo do Estado.
Essa motivação antes de mais nada revela um problema muito
mais estrutural do que apenas os problemas impostos por um imediatismo que
parece sempre ser bater as portas dos movimentos sociais de esquerda, muitas
vezes aqueles que necessitam dialogar com o governo ou com as estruturas burocráticas
de poder desse comitê burguês que insiste em explorar, encarcerar, assassinar a
grande parte de sua própria população, sim pois a construção de políticas
públicas ineficazes apenas perpetua os processos de opressão e de desigualdades
étnico-sociais estabelecidas dentro dessa estrutura capitalista.
Entre os argumentos do “voto crítico” ao “a solidão do
movimento” existe na verdade uma alteração no verdadeiro foco que deveria se
ter as entidades e os movimentos sociais, que ao invés de responder ao
imediatismo e ao terror como uma reflexão crítica, sentem a necessidade de
seguir por um caminho estabelecido por uma vanguarda intelecutalizada e/ou uma
direção carismática pautada em valores que estagnam o processos de
transformações que poderiam ser necessário.
Construindo dessa forma “alianças temporárias” ou “alianças
necessárias” em prol de um possível avanço social que poderia surgir, sabemos
que toda transformação de fato não irá se realizar no protestos de rua, pois na
verdade são espaços de embate e combate direto as imposições do patronato
patriarcal e racista que insiste em retirar ou agravar os processos exploratórios.
Essas “alianças temporárias” necessitam ser críticas, pois beneficiam uma
parcela daqueles que acreditam ter algum tipo de poder e autodenominam a
vanguarda ou direção do movimento, um preço alto que mais tarde pode ser
revindicado em campanhas eleitoreiras ou em oportunismos que apenas irão trair
e desgastar o movimento.
Meus argumentos não situam-se no sectarismo, mas na
constituição de uma autonomia política e na defesa genuína de ideais referentes
a constituição de um esforço de consolidação de trabalhos de base, isso não
significa abdicar de lutas genuinamente estabelecidas pelos movimentos sociais,
se trata pelo contrário de valorizar e acreditar na potencialidade o poder popular,
nesse sentido a constituição de espaços de diálogos permanentes parra que se
possa compreender que determinadas alianças tem um preço muito alto para as
entidades e movimentos sociais.
Segundo ponto, não se trata aqui de desmerecer do combate e
o embate público, nada disso, pois como estratégia de luta o enfrentamento das
ruas se estabelece como uma mecanismo de visibilidade importante para os
movimentos sociais, no entanto quando a visibilidade não alcança as pautas e
somente as marcas, ocorre um processo de alienação simbólica, em que o
particular - o nome de entidades e
consequentemente o nome de pessoas – se torna mais importante do que as pautas
e a história do próprio movimento, nesse sentido os movimentos sociais que
sugerem alianças tem em mente, ou deveriam ter, sua concepção de sociedade bem
explicita para evitar problemas estratégicos de tendem a surgir na hora em que
o Estado pesa sua mão sobre os movimentos.
A “aliança temporária” com grupos políticos que se mostraram
delatores, já se mostraram agressivos quando questionados em suas táticas e
estratégias e que necessitam estar na direção do movimento para poder
participar, são riscos altos que alguns movimentos podem correr. Riscos esses
que auxiliam no processo de desarticulação e muitas vezes acabam construindo
uma confusão ideológica dentro do movimento.
É perigoso pensar que diante de problemas imediatos que já
possuem acúmulos político e experiência possam cair na armadilha de dessas possíveis
aliança motivados pelo medo ou por não sentir-se forte o suficiente para
realizar uma trabalho de base a longo prazo.
Estar lado a lado com o povo deve ser o objetivo de quem
busca transformações na estrutura e impedir o avanço do capital sobre os
direitos da população, a participação em protestos de rua é parte desse
trabalho, mas não é todo o trabalho.