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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Porque Voto Nulo! - Por Companheiro Anarcormindense


Nos últimos dias tenho sido muito questionado a respeito de "Quem eu vou votar" ou "Quem eu considero o melhor candidato" e achei que tava na hora de escrever um pouquinho aqui. 
Bom como muitos, se não todos aqui sabem eu acredito no Anarquismo como ideologia e como forma de luta, o anarquismo ou socialismo libertário resumidamente é a negação de qualquer tipo de autoridade, seja ela religiosa, moral, estatal ou outra. 

E uma das propostas do socialismo libertário como forma de luta é o não voto ou voto nulo. Mas para que não pensem que "Eu não quero votar ou voto nulo porque sou anarquista apenas" ou que se "Eu não votar não posso reclamar durante 4 anos" eu quero esclarecer algumas coisas aqui.

Primeiro, não, eu não voto nulo somente por ser libertário, voto nulo porque não acredito na forma de política parlamentar e representativa que temos aí, voto nulo porque acreditamos que somos nós que sabemos nossas necessidades e que somos nós que temos o poder para transformá-las, através da autogestão, da ação direta e da não-representação, que ficam explicadas na imagem. Não quero aqui que pensem também que eu não concordo com nada das propostas dos candidatos, alguns até mostram propostas coerentes, contudo eu não vejo o porque de eu colocar alguém para me representar quando posso eu mesmo lutar pelas mudanças nas quais acredito. Uma frase que li uma vez e acredito bastante é a ideia de que "Votar significa abrir mão do próprio poder", quem da poder e legitima todos os representantes, seja na presidência, senado, governo e afins, são as pessoas quando votam e legitimam novamente essa velha forma de fazer política.

Acredito sim que exista gente que vote e lute, que exista gente que não vote e lute e também que tem gente que não vota e nem luta. Por isso acredito que somente votar nulo é muito vago e raso. Defendo o voto nulo não porque acho que todos deveriam não votar ou votar nulo e sim porque acredito que todos deveriam entender que não votar ou votar nulo pra poder optar por votar ou não. A abstenção do voto não é "coisa de anarquista" como dizem, é coisa de gente que já ta cansado da mesmice, cansado de eleger alguém pra lhe representar e mais e mais vezes saber de escândalos de corrupção, de coligações corruptas e muitos mais problemas. Mas aí me dizem "não são todos ou todas", sim é verdade, ainda existem aqueles que entram no parlamentarismo afim de tentar alguma mudança, porém, não acredito neles apesar de gostar pois entendo que não são as pessoas que estão corruptas e sim esse modelo representativo estatal que gera o problema. 

Segundo é que eu realmente não pretendo reclamar nos 4 anos, pretendo somente continuar lutando, continuar apresentando alternativas aos que precisam das mesmas e ouvindo as vozes dos que passam por todas as necessidades que o capitalismo gera.

Outra frase que me chama muito a atenção é essa "Nossas urgências não cabem nas suas urnas", isso se dá como verdade não só pelo modelo libertário de pensamento, mas também quando paramos pra pensar em toda a burocracia que existe no sistema.

Espero ter deixado claro e espero que leiam. Enquanto vejo as campanhas eleitorais eu continuo na outra campanha, a campanha dos que querem lutar por um mundo melhor de forma direta, sem alienação de ferramentas estatais ou burguesas.
Você é seu senhor, você é capaz de resolver seus problemas, através da união entre as pessoas muito mais poderá ser feito de verdade.


Texto de Companheiro Anarcormindense

sábado, 6 de setembro de 2014

A outra campanha



Existe sempre esse questionamento, se outra campanha é possível, se o voto nulo atinge sua objetividade e se não votar torna possível transformar nossa sociedade, nenhuma dessas estratégias terão efeito se antes de mais nada não prezarmos por uma construção política face a face, pela base, em trabalhos locais com pequenos grupos reunidos e trabalhando buscando alternativas. Nos obrigam a votar como se não tivéssemos alternativas, nos ensinam a escolher o menos pior.
Não podemos nos deixar levar por essas imposições, pois isso só nos aprisiona cada vez mais, se faz necessário acreditar em Outras possibilidades de luta, em uma outra forma de se fazer política, onde possamos de fato mudar as coisas ao nosso redor, onde a comunicação e a experiencia entre sujeitos seja mais importante que um papel ou número de série, não podemos nos render a esse mercado eleitoral que nos é proposto, precisamos construir nossa própria forma de fazer política.

Em 2005, o Exército Zapatista de Libertação Nacional[1], lança a Outra Campanha, uma iniciativa que visa construir uma política por baixo, pela base, ouvindo as entidades dos movimentos sociais e cada indivíduo, como um exercício de retomada e ação política direta. 

“O processo eleitoral começou e alguém virá dizer que nos apoiam e que irão resolver tudo. Nós afirmamos que eles não vão resolver absolutamente nada e nem os vemos trazer soluções, apenas problemas.” (EZLN, 2006)

A Outra Campanha compreende que um acordo entre os dirigentes não traz beneficio algum a população, ao povo pobre, ao pequenx produtorx, ax caboclx, ax indígena, ax negrx, pelo contrário, atrás das promessas de campanha escondem as artimanhas e os acordos estabelecidos com os poderosos.

O movimento Organização Popular – e outrxs – abraça essa ideia proposta pelo EZNL buscando construir uma política social pelo povo e para o povo de fato. Apresento alguns pontos modificados pelos quais concordo e deixo na íntegra a cartilha do movimento Organização Popular.

- Outra campanha, para convocar a luta e a organização popular, não para pedir votos, é o trabalho que nos mobiliza para fazer política. Porque a política não é assunto só para especialistas e representantes.

- Outra campanha para construir um povo forte, para unir os movimentos sociaisq eu lutam, para fazer política com as próprias mãos com independência em relação ao governo, ao partido, ao patrão, ao marido, ao homem branco, pelas decisões em assembleias populares e da luta popular pela diversidade e unidade.

- Outra campanha para que se rompa o grito abafado dos que são deixado de lado, para construir a participação popular onde o poder faz exclusão, para criar capacidade política pelos lugares de trabalho, estudo e moradia, fora das instituições burocráticas burguesas que prendem nossas pernas e aprisionam nossas almas. Pela cultura e os meios de comunicação comunitários.

- Outra campanha para construir poder popular, para acumular forças com democracia de base e tomar de volta a política dos corruptos, das oligarquias e dos grupos dominantes do poder. Para a derrocada da farsa política.


Essa outra campanha pauta-se em uma retomada do poder, como um escudo para as frustrações anunciadas por essa política perversa que insiste em ludibriar a população. A outra campanha, esse vontade se encontra no coração da população, pode ser sentido isso nas ruas, nas escolas, nas falas de todxs, mas a mudança não virar através de candidatxs messianicxs.

As populações em diversas partes da América latina já sentem a retomada do poder se aproximando, como uma onda, os ricos e poderosos temem esse momento, não podemos cair nas mentiras e nas enganações de políticos profissionais que se utilizam da nossa força para almejar votos, para ficarem cada vez mais poderosos e ricos.

No Maranhão, moradores expulsam candidatos, na periferia da cidade Manaus isso também acontece, a população já não aguenta mais as mentiras.

(Maranhão)



Não vote, retome seu poder! Uma outra campanha é possível




1. O Exército Zapatista de Libertação Nacional é um grupo paramilitar que levantou-se em 1995 em defesa do produtores rurais, indígenas, campesinos e camponeses na defesa das terras originarias contra as grandes empresas, é um movimento de cunho popular e revolucionário, que investe em educação popular, autogestão, autodeterminação popular e empoderamento como estratégias de superação capitalista. É um movimento anticapitalista e de origem majoritariamente indígena.




sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O sufrágio como uma farsa institucional!



O sufrágio, de acordo com o dicionário é o direito ao voto, também pode significar adesão e aprovação, direito de eleitor, para outros dicionários seria voto emitido para a eleição de um candidato. Em termos gerais o nosso voto elege um representante com o qual compactuamos em ideia, que nos representa em um determinado campo político. Em um sindicato ou grêmio estudantil o voto é emetido na escolha de representantes que assumirão cargos administrativos para a organização das atividades da associação, em termos gerais, nas eleições estaríamos elegendo representantes que administrariam ações políticas em prol da gente.

Em todos os casos essa escolha implica juridicamente, que os legisladores do país – e somente eles – poderiam propor mudanças jurídicas e legislativas referentes à nossa vida cotidiana, leis e normas que deveriam ser respeitadas e que deveriam referir-se a vontade geral da população. Falo em termos vagos, pois politicamente são ações amplas tomadas por esses “representantes”.

Somente esses representantes tem o poder de propor leis, emendas constitucionais e agem dentro de uma norma política separada de outros cidadãos comuns, somente essa separação já seria o suficiente para colocar em xeque o que se acreditar ser democracia, para além disso, temos casos de corrupção, de conchavos e de traições em relação a vontade geral da população.

O que temos na verdade é um conjunto de “representantes”, em sua maioria, tão afastados das demandas da população, que realizam acordos entre si para quem mantém-se nas esferas políticos burocráticas do Estado, para dessa forma manusear o fluxo do capital em proveito próprio, aumentado a miséria humana e as desigualdades sociais.

Em uma análise prévia a culpa recairá sobre os indivíduos eleitos, mas não é só eles, existe uma estrutura social estabelecida, pautada em um modo de produção, que perpetua as desigualdades sociais presentes em nossa sociedade e instrumentaliza a violência para a manutenção de uma ordem social perversa, onde os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

Essa estrutura ou sistema procurar perpetuar o lucro e manutenção de determinados poderes – de classe, de gênero e étnicas – de um grupo pequeno de dirigentes, isso se reflete na diferença de riquezas e no déficit de distribuição de renda na sociedade, estabelecido por um mercado financeiro que dita regras comerciais e o fluxo da riqueza de formas internacionais.

Impondo dessa forma suas vontades e suas regras, o Estado é esse comitê dirigente da classe dominante, para tanto as instituições que o compõe, compactuam com seu modelo de administração e validam legalmente a miséria humana.

Dessa forma não adianta mudar os sujeitos, se o modelo Estatal permanece como sendo essa figura autoritária que esmaga centenas de mulheres e homens na sociedade, que destrói nossa natureza, que brutaliza nosso ser, essa organização que favorece o capital se perpetua mesmo nos “representantes políticos” que tomam posturas socialistas – ou pelo menos dita socialista – pois sua estratégia de inserção no Estado para modifica-lo se torna mais falha, ainda mais em um mundo globalizado em que vivemos, em que as fronteiras entre nacional e internacional se tornam cada vez mais frouxas e a face maligna do capital se apresenta cada vez mais presente.

É obvio que uma revolução socialista não acontecerá pelas urnas, o sufrágio é apenas uma farsa institucional que engana o povo, que iludi as populações étnicas que foram massacradas por esse mesmo Estado, não há acordo possível e de bom grado cedido por aqueles que detém o poder.


Precisamos tomar de volta o que nos foi roubado e usurpado desde que nascemos, empoderar-se é necessário.





quinta-feira, 4 de setembro de 2014

NÃO VOTAR ou VOTO NULO


Maria Lacerda de Moura já dizia há mais de um século atrás “[...] essas revindicações não se podem limitar a ação caridosa ou a um simples direito de voto que não vem, de modo algum, solucionar a questão da felicidade humana..” (MARIA LACERDA)

A fala dela me faz pensar, em dois pontos, primeiramente na ação caridosa que o Estado toma em relação aos movimentos sociais – de minorias – dentro do país, um discurso reacionário colocaria os movimentos sociais como vilões que realizam acordo com o Estado para receber a caridade dos poderosos, mas não se trata disso, o que ocorre são estratégias sofisticadas do comitê executivo empresarial para manter uma coesão social para que o capital possa manter-se em livre circulação. E o segundo ponto é a farsa do sufrágio como prática possível de transformação social

Maria Lacerda já havia percebido deste muito tempo que essas ações caridosas são apenas estratégias para docilizar os movimentos sociais, fingindo incorporar ao Estado suas pautas e defendendo o que deveria ser obvio, no entanto, mais que uma tática se torna uma pratica incorporada dentro de nossa subjetividade, que acomoda e normaliza a dominação presente na sociedade.

Criando dessa maneira a incapacidade de saídas do plano estabelecido pelo Estado, que se configura em mandatos de representantes do povo de 4 em 4 ano, representantes esses que se afastam tanto da realidade da maioria da população e que se perdem na lógica burocratizada do próprio Estado.

O sufrágio proposto pelo voto não se realiza se as questões básicas de existência da população não podem ser respeitadas, estas não seria por conta de uma gestão ou administração falha, não existe isso, pois a lógica capitalista não respeita e nunca ira respeitar as condições básicas de existências dxs trabalhadorxs, das mulheres, dxs negrxs, dxs indígenas.

A eleição é um circo armado, onde somos obrigadxs a votar, em um mesmo conjunto técnico político – de candidatos – que mantém a ordem vigente e reproduz o discurso dominante é uma farsa no sentido que não representa de fato a vontade do povo, pois ela não se personaliza em pessoas, a vontade do povo existe na experiência cotidiana de trabalho e de organização social, por mais que um candidato a assumir um cargo possa dispor-se a dialogar com a população, este será um articulador dentro do Estado e será a voz do Estado e não da população.

“Nas eleições o voto não serve para emitir uma opinião, mas para legitimar um mandato” (VIDAL, 1986)

Por isso o desespero para que não se vote nulo, sabemos que não se pode anular uma eleição apenas votando nulo, não se trata disso, se trata de realizamos a chamada para um processo de conscientização política, se trata de abandonar as práticas estabelecidas pela classe dirigente, que come bem, dorme bem e vive bem a custa da nossa existência na miséria.

Em diversos estados da federação a campanha do voto nulo e de não vote vem sendo silenciada e atacada por sendo uma inutilidade, mas o voto em si se torna anulado quando não há a participação popular ao longo do ano inteiro na política, quando nos é negado os direitos básicos, a educação e a saúde de qualidade, quando manifestantes são criminalizados em plena democracia.

Não há saídas para capital dentro do Estado, mesmo uma parlamento repleto de funcionárixs públicos socialistas, se perpetuarem a prática do Estado, estarão perpetuando uma lógica autoritária, precisamos retornar as bases de trabalho, em uma democracia face a face, cotidiana, em cada ato produtivo que tivermos pensarmos coletivamente e conjuntamente.

As eleições como podem ver são acordos e conchavos entre lobos, escolhendo quem vai atacar o rebanho e de que forma nas próximas eleições.


Não pretendo me estender mais que o necessário, mas deixar um recado se faz necessário, não deixem que roubem da gente nossa capacidade de agir politicamente, ela nos pertence, precisamos exercer nosso voto cotidianamente e não em urnas, nossa visão de mundo e política precisa ser transformada por um ideal mais amplo.