Arte e Anaquia traz uma reflexão a respeito de como o movimento revolucionário anarquista serviu de influência para diversos artistas, do mesmo modo como a artes pode nos ajudar a sensibilizar nossas experiências em prol ds revolução social.
sábado, 2 de julho de 2016
quinta-feira, 30 de junho de 2016
Representatividade para Além do Capital*
As bases do desenvolvimento da sociedade capitalista no qual
estamos inserid@s, não se baseiam somente no cálculo administrado da exploração
humana, de uns sobre os outros, mas também a partir de valores conservadores
que permitem que essa estrutura se reproduza em larga escala e em
microrrelações.
Esses valores são permeados por elementos heteronormativos,
etnocêntricos e patriarcais. Gostaria de elencar a questão etnocêntrica
referindo-se a questão do homem branco, ou seja, a figura do colonizador que
através da violência expropria e deteriora a história, os valores e concepções
de diversos povos ao longo do globo terrestre na medida em que o imperialismo e
o mercantilismo tecia suas garras pelos vastos territórios, tanto a figura representativa dos séculos anteriores, como a figura reconstruida na grande mídia ao longo do século XX.
Em nome desses processos, populações inteiras foram
escravizadas, saqueadas, dizimadas, para ostentar o luxo e desenvolver
artefatos culturais nas “metrópoles”, essa produção das ideias a partir das
relações de produção e da interação de grupos na divisão social do trabalho no
período contemporâneo acabou por elencar determinados sujeitos como
protagonistas a serem reproduzidos pela arte burguesa. Esse sujeitos eram brancos, homens e europeus, na medida em
que o próprio Estados Unidos da América se torna uma potencia imperialista, ao
longo do século XIX, ele passa a reescrever sua história e os modos de produção
cultural, buscando invisibilizar todos os sujeitos que de alguma forma fugissem
a normatividade instituída a partir dessa relações. O mesmo ocorre nas produções literárias, artísticas eurocêntricas.
A partir do momento que a população negra, bem como o
movimento LGBT e os movimentos feministas ganham espaços nos debates na esfera
pública, através de ação direta em determinados momentos, através de luta pelo
reconhecimento em outros momentos, as questões sobre o monopólio da
representação no campo cultural da sociedade capitalista passa a ser
questionado e reivindicado do mesmo modo.
Essa síntese que fiz tem como objetivo apresentar
um argumento, que em uma disputa de classes, no enfrentamento ao machismo, ao
racismo e a heteronormatividade, uma luta pela construção de representações é
tão importante como os piquetes para parar a relações objetivas do capital.
O capitalismo por sua vez possui mecanismos instrumentais
para incorporar a sua lógica de desenvolvimento uma falsa representação das
populações fora do eixo de valores originários de populações negras e indígenas. A moral burguesa se
empenha em fingir que deixa de lado esses valores, quando na verdade busca aperfeiçoar
seus mecanismos de controle, dominação e exploração
A disputa no campo das representações é uma luta no qual as
regras estão dadas pela técnica produzida pelo mundo capitalista, isso
significa que este define o tipo de representatividade a ser apresentada em
determinados ramos da produção cultural de massa. A industria estaduniense
acaba definindo determinados valores de consumo e de reprodução de
representatividades. Do mesmo modo o cenário eurocêntrico onde se produz outras
formas cultura e conhecimento que visam afastar as populações de emancipar-se
das ideias que lhe são impostas.
Ocorre que as pessoas disputam essa representatividade, na
medida em que localmente as interações sociais produzem outras formas culturais
e de representatividade, dessa forma a luta pela representatividade autônoma capaz
de comunicar de fato os elementos importantes para a emancipação sociais dos
indivíduos, não pode ser relegada a um segundo plano.
É uma erro estratégico
- enquanto libertárixs, socialistxs e anarquistxs – ignorar o que isso
representa, pois o Estado e o Capital andam de mãos dadas para sabotar e
deslegitimar a luta por representatividade nos campos das produções culturais,
precisamos reforçar a luta autônoma, uma ação cultural direta, em nossas
produção que busquem enaltecer a população negra, indígena, campesina, na
medida em que iremos reiventar as formas de produção cultural de uma forma
anticapitalista.
Trabalho esse que não de forma alguma fácil, pois precisamos
destruir estruturas simbólicas compartilhadas e modos de produção de ideias que
há muito tempo estão vigentes dentro da sociedade, nossa luta precisa ser:
A ) pela
construção de outros espaços culturais, onde o lucro não seja objetivo final,
ação essa que diversos coletivos, associações e grupos de luta autônomas,
libertárias, de tendências anticapitalistas, realizam constantemente nos
espaços.
B) Na
luta pela legitimação de representações autônomas e emancipatórias, isto é,
atacar a linguagem capitalista de produção de representatividade e não as
diversas população que estão em disputa, mesmo que o horizonte não seja
libertário, a nossa luta ideológica se faz na prática, nosso discurso caminha
aliado com nossa ação, precisamos lembrar da máxima de estar lado a lado com
aqueles que estão contra os poderes hegemônicos em todas esferas.
C) O
desafio de descolonizar nossa compreensão de realidade, o que envolve um
atividade constante consumo e produção de outras formas culturais, a contra
cultura precisa ser impregnada de ideais contra -hegemônicos, de modo algum
rendendo-se as diretrizes do capital.
Essas três formas de ação envolve parâmetros essenciais de
uma luta por representatividade, que não pretende ser a correta, muito menos a
única, essa disputas ocorrem cotidianamente na medida em que estamos buscando
desestruturar os valores hegemônicos que permitem controle, dominação e exploração
social nessa sociedade, não podemos nos aliar e atirar pedras contra nós
mesmos, precisamos declarar guerra a quem de fato são nossos inimigos, as
grandes corporações capitalistas, que se utilizam de uma luta legitima para
produzir mais capital, para “inserir” um número maior da população nos meios de
produção.
Temos que ter em mente, que a emancipação das ordens econômicas
caminha concomitantemente com a emancipação das ordens culturais, lembrando
nossa ação direta visa ambas dimensões da realidade.
Para tanto, precisamos construir formas de
autorrepresentações para além do capital, isso é base para a revolução e para a
derrocada do Estado, pois na medida em que enfrentamos e construímos outras
estratégias, maiores são as chances de vencermos o neoliberalismo transversal
das relações sociais, produzidas nessa sociedade de capitalismo financeiro.
* Esse texto é uma debate sobre representatividade nas produções culturais, o termo representatividade é um conceito comum debatido por diversos campos do movimento social que envolve uma luta por reconhecimento de identidades.
Notas
1. A motivação para o desenvolvimento dessa reflexão é uma tentativa de situar estratégias de enfrentamento a apropriação de uma luta legitima feita pelo grande capital, os argumentos apresentados de forma sucinta servem apenas como um ponto de ignição para maiores debates a serem construídos ou desconstruídos, não é de modo algum um manual de regras, ao contrário é anti-manual.
2. O termo cultura ou cultural apresentado aqui envolve um campo semântico relacionado a produção cultural de nossa própria sociedade, tendo em mente que é um conceito caro, a cultura aqui apresentada compreende artefatos socialmente compartilhados que interferem subjetivamente nos campos das representações e ideias, quando me refiro a cultura como produção artística, mesmo sabendo que ela pode assumir outros significados.
quarta-feira, 29 de junho de 2016
Sobre El Anarquismo, Nicolas Walter.
A editora Eleuterio acabou de publicar o livro em espanhol Sobre El Anarquismo de Nicolas Walter. O livro busca apresentar uma introdução ao anarquismo, para além disso trata de conceitos essenciais de forma bem precisa, dentro das mais variadas vertentes do anarquismo que co-existem.
Segue o link
http://www.eleuterio.grupogomezrojas.org/novedad-libro-sobre-el-anarquismo-de-nicolas-walter-para-descarga/
Fonte: https://m.facebook.com/bibliotecaterralivre/
NOTICIAS: Polícia Assassina Salvador Olmos
Texto em https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/06/29/mexico-policia-assassina-salvador-olmos-ativista-libertario/
Tradução > Liberto
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/06/29/mexico-policia-assassina-salvador-olmos-ativista-libertario/
HUAJUAPAN DE LEÓN – Salvador Olmos García, de 27 anos, comerciante,
jornalista comunitário, lutador social, ativista defensor das terras,
cantor e pioneiro do movimento anarcopunk em Huajuapan foi encontrado
gravemente ferido na manhã deste domingo (26/06) na colônia de “Las
Huertas”, nesta cidade.
Por volta das 04h40 os socorristas da Comissão Nacional de
Emergências (CNE) foram alertados por elementos da polícia municipal que
na rua “Naranjos”, sem número, se encontrava uma pessoa seriamente
ferida, ao que estes se aproximaram rapidamente a bordo da ambulância
06, da delegação 020.
Ao chegar, os paramédicos encontraram uma pessoa que estava caída às
margens da via ao que o submeteram os primeiros socorros e o colocaram
na maca.
Ao perceberem que havia sofrido lesões nas extremidades, cabeça e
dorso, resolveram transladá-lo à área de Urgências do Hospital Geral de
Huajuapan, Pilar Sanchéz Villavicencio, para que recebesse a atenção
médica devida.
No entanto, após vários minutos de luta para salvar sua vida,
“Chava”, como era conhecido por amigos e familiares, havia deixado de
existir em razão do ar acumulado na cavidade da pleura (pneumotórax),
fratura do úmero direito e rompimento de paredes interiores
(hemorragia).
Depois do falecimento de Salvador, que também era narrador da rádio
comunitária “Tunn Ñuu Savi”, os integrantes dessa rádio indicaram
integrantes da polícia municipal dessa cidade como supostos autores
materiais e intelectuais. Asseguraram que “Chava” havia sido detido e na
sequência atropelado por uma viatura oficial.
Ao mesmo tempo, instaram posição das autoridades competentes para o
imediato esclarecimento dos fatos e punição aos responsáveis, ou, do
contrário, tomarão medidas alternativas para fazer justiça ao falecido, e
também em relação a outros ocorridos que consideraram como fascistas e
opressores por parte dos uniformizados.
Salvador Olmos García, radialista no programa “Pitaya Negra”, lutava
há quinze anos pela defesa das terras e comunidades Mixtecas, ante a
exploração de recursos naturais e a entrega de concessões a mineradoras
estrangeiras por parte das autoridades governamentais.
Após esse lamentável fato, dezenas de pessoas, entre amigos,
familiares e conhecidos, se concentraram nas instalações da rádio “Tuun
Ñuu Savi” a fim de manifestarem sua solidariedade e exigir punição aos
responsáveis.
“Sociedade de Huajupan, esperemos que compreendam o que fizeram
ao nosso companheiro; não queremos incitar a violência, mas estamos
indignados e cheios de raiva por justiça. “Chava” sempre lutou por
igualdade e era um companheiro produtivo para a sociedade, solidário e
como anarquista sempre protegeu todos em seu entorno”.
“Era um bom homem com alma de menino, com suas sandálias negras,
rastas e botas, pois nele foi o único espaço que ela encontrou para se
desenvolver livremente”, expressou um dos ativistas, companheiro próximo a Salvador.
Tradução > Liberto
Fonte: https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/06/29/mexico-policia-assassina-salvador-olmos-ativista-libertario/
Reflexões a partir dA ilusão do sufrágio universal, Bakunin estava certo!
Toda decepção com o sistema representativo está na ilusão de que um governo e uma legislação surgidas de uma eleição popular deve e pode representar a verdadeira vontade do povo (BAKUNIN)
Bakunin compreendia que essa legislação não tinha como ser
construída de forma representativa pelo fato das forças de colizão capitalistas
firmavam os parâmetros para esse acordo “democrático”, onde a população estaria
a mercê, o ordenamento jurídico e político desses mecanismos estariam sujeitos
as forças econômicas e políticas daqueles que detém o monopólio sobre a
produção. Mesmo com uma grande diferença entre o século XIX e o século XXI,
mesmo com o processo de socialdemocratização de um Estado de bem-estar, os
elementos fundamentais do ordenamento jurídico que manusea a ordem social em
favor do sistema capitalista, tende a nunca garantir que a “vontade do povo”
seja garantida.
Justamente porque a defesa da vontade do povo no discurso
político dentro desse sistema capitalista na verdade é uma construção
ideológica para justificar as ações da classe burguesa para ampliar seus lucros
e sua exploração, a burguesia não se alia, ela constrói a realidade conforme a
sua necessidade, ela revoluciona somente na medida em que essa revolução
aperfeiçoa suas práticas.
A distancia entre o político e o povo tende, na medida em
que a ideologia da burguesia avança em suas legislação a se tornar um abismo
incapaz de ser transposto facilmente. A distinção entre o legislador e o povo,
como duas categorias genéricas era para Bakunin o mecanismo para apresentar as
forças de oposições em disputa na sociedade, podemos compreender que o povo era
visto por Bakunin, como sendo os indivíduos livres em um embate com os sujeitos
autoritários.
Essas duas categorias, povo x legisladores, é o cerne da
própria organização burguesa, pois ela precisa construir seus mecanismos de
distinção para poder conter de forma objetiva e subjetiva a fúria
revolucionária da população, na medida em que as organizações políticas burguesas
se estabeleciam aliadas ao Estado Moderno, a distância tenderiam a aumentar, na
medida em que o capital acumulado também fosse injetado nessa máquina de
controle, que o Estado.
Apesar de não colocar nesses termos em que apresento essa
reflexão, ele apresenta de que forma essas forças estariam se construindo em um
processo germinal de sua época.
Por mais democráticos que sejam seus sentimentos e suas intenções, atingida uma certa elevação de posto, veem a sociedade da mesma forma que um professora vê seus alunos, e entre professores e alunos não há igualdade. De um lado há o sentimento de superioridade, inevitavelmente provocado pela posição de superioridade que decorre da superioridade do professor, exercite ele o poder legislativo ou executivo. Quem fala de poder político, fala de dominação. (BAKUNIN)
Essa alegoria do professor e do aluno utilizado por Bakunin
no panfleto indica que as posições assumidas por ambos indivíduos encontram-se
de modo desigual, pela própria estruturação da sociedade a qual se faz parte,
em Instrução Integral e em outros textos Bakunin alerta para que não se
construa essa distinção no processo revolucionário onde o intelectual se torne
agente a serviço da autoridade.
Os mecanismos de dominação do qual ele fala, envolve uma
fazer crer que existe uma igualdade
política entre o legislador e a população, essa igualdade política é uma ficção pueril utilizada para ajustar a
ilusão do sufrágio universal na medida em que o legislador compõe-se enquanto
categoria – dentro de uma classe – que busca se distinguir e privilegiar em
detrimento da população.
Consequentemente se tornando ponte da classe que expropria e
explora, o sufrágio universal é o cerne de uma manobra orquestrada – ora
consciente e ora inconsciente – para conter o verdadeiro conflito de classes
inerentes as contradições da sociedade capitalista, isto quer dizer que
constitui mecanismos de estruturantes de
dominação, onde os legisladores são agentes a serviço de instrumentalizar a
vontade de uma elite.
Quer seja no parlamento, quer seja no parlamentarismo de
base reproduzido em várias esferas, onde o sujeito tem sua vida política
expropriada em detrimento a uma falsa representação de sua vontade, onde o
parlamentar, assume na verdade a vontade do capital.
Hoje os reformistas acreditam que se extinguirmos o
financiamento privado das campanhas, possa ser suficiente para alterar o
sistema de dominação imposto pelo capital a esfera política representativa, ou
mesmo que a escolha de um novo quadro mais “íntegro” seja suficiente para que altere-se as condições sociais.
Ocorre que como um mecanismo estruturante
de dominação, a democracia representativa não busca resolver o problema em
si das desigualdades sociais, na verdade ela visa uma conciliação de classe,
que em termos práticos é impossível.
Impossível , pois a ilusão das eleições tem como único
propósito administrar o conflito de classes criados por um sistema de
exploração desenfreado, visa construir instrumentos de perpetuação do sistema
econômico vigente e da reprodução de distinções sociais através dos artefatos
estatais de reprodução – escolas, instituições, polícia.
É verdade que, em dia de eleição, mesmo a burguesia mais orgulhosa, se tiver ambição política, deve curvar-se diante de sua Majestade, a Soberania Popular. Mas, terminada a eleição, o povo volta ao trabalho, e a burguesia, a seus lucrativos negócios e às intrigas políticas. Não se encontram e não se reconhecem mais. (BAKUNIN)
fonte: A Ilusão do Sufrágio Universal. Mikail Bakunin.
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