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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

                             Sistema penitenciário, reintegração ou depósito de pessoas?






Fazendo um resgate na história, os primeiros cativeiros datam 1.700 a.c., os principais crimes nos tempos antigos eram endividamento, desobediência, desrespeito às autoridades, ser estrangeiro ou prisioneiros de guerra. A finalidade das prisões eram de anular forças contrárias e não de reintegração ou recuperação social, e as prisões atuais foram esboçadas a partir de traços moldados pela igreja para combater divergências religiosas. Hoje se vê o uso do direito penal como instrumento de política pública, para tentar conter as consequências dos conflitos sociais que são fruto da exclusão causada propositalmente pelo sistema capitalista. O sistema penitenciário é um dos instrumentos mais cruéis de repressão dentro do modelo neoliberal.







O combate à criminalidade se limita a um "tapar o sol com a peneira",  pois atua com as consequências e não com a raiz dos problemas, pos muitos crimes são cometidos por indivíduos que tiveram negados seus direitos naturais, direito à vida, à saúde, à educação, tendo esses direitos negados, sem qualquer perspectiva, e mesmo após o cumprimento da pena, continuam socialmente excluídos. É histórica as mazelas com o sistema prisional, desde sua criação é direcionado para conter àqueles que não tem as características impostas pelo sistema, assim, o sistema prisional não é igualitário, é seletivo. O direito penal garante a impunidade daqueles com poder economico e político, e condena todos àqueles que são excluídos por estes.





O sistema prisional se tornou um depósitos de pessoas, vivendo em condições sub-humanas, expostos a varios tipos de doenças, sem uma estrutura adequada, com atendimento médico, ondotológico e psicológico precários, tendo seus direitos vistos como regalias, sem acesso a justiça e/ou defensorias públicas, submetidos a torturas, maus tratos, corrupção e negligência e outras ilegalidades praticadas pelos agentes públicos. Temos exemplos como o de Carandiru, onde policiais exececutaram 103 detentos, somando 111 mortos, com os 8 por morte em confronto entre si. O caso do 42º Distrito Policial que confinou 51 detentos por tentativa de fuga em uma cela de 1,5 x 4m, sem ventilação, causando a morte de 8 presos por asfixia. Um caso noticiado recentemente, em dezembro de 2013, no Maranhão, foi a rebelião no CDP, no bairro da zona rural em São Luiz, onde 4 detentos morreram, sendo 3 decaptados, tendo "começado com a briga entre membros da mesma facção de um bloco".  A segunda rebelião com assassinato no Maranhão, em dois meses, a primeira foi em outubro, com 9 mortes e 16 feridos. Nos questionamos sobre a veracidade das notícias, que sempre são explicadas com conflitos entre facções, mas sabe-se que muitos conflitos começam com disputa por espaço, causada pela superlotação que condiciona um número de presos muito maior do que a capacidade da cela, e por isso muitos presos acabam dormindo amarrados nas grades ou em outras condiçoes deploraveis. A mídia sensacionalista, vende diariamente notícias de rebeliões e fugas, sem denunciar as causalidades das ocorrências, que são os maus tratos, a superlotação, as mortes, torturas, o tratamento desumano que muitos foram condicionados dentro e fora da penitenciária.




Está claro, para nós anarquistas, que o sistema prisional não é e nunca será uma forma de transformação da população carcerária, não é a solução para a criminalidade, é preciso olhar para a raiz do problema. O principal fator da criminalidade, é a exclusão, e esta por sua vez, vinda da desigualdade social, fruto da ordem capitalista. A polícia, o sistema juridico, o direito penal e todas as leis que o estado nos impõe nunca nos representaram, a sociedade é injusta, e esses instrumentos, bem como o sistema penitenciário, servem para garantir através do medo que ela continue assim e que os que estão na base dessa sociedade aceitem sua condição.

LUTAMOS PELA IGUALDADE E LIBERDADE DE TODO E QUALQUER INDIVIDUO EM UMA SOCIEDADE IGUALITARIA BASEADA NA FRATERNIDADE, APOIO MÚTUO, AUTONOMIA, AUTOGESTÃO.

Jana azevedo
Arleson oliveira

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