Páginas

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Sobre os perigos de Alianças Temporárias.




Primeiro ponto, toda aliança baseada no medo e no terror é apenas uma esperança vã de derrotar o inimigo, apenas uma boia de chumbo para quem não consegue nadar. Desde 2014 tenho visto através de redes sociais, da internet e dos periódicos socialistas os argumentos de uma “necessária aliança temporária”, quer seja para impedir o avanço da direita ou a retomada de um partido de direita a direção do comitê executivo do Estado.

Essa motivação antes de mais nada revela um problema muito mais estrutural do que apenas os problemas impostos por um imediatismo que parece sempre ser bater as portas dos movimentos sociais de esquerda, muitas vezes aqueles que necessitam dialogar com o governo ou com as estruturas burocráticas de poder desse comitê burguês que insiste em explorar, encarcerar, assassinar a grande parte de sua própria população, sim pois a construção de políticas públicas ineficazes apenas perpetua os processos de opressão e de desigualdades étnico-sociais estabelecidas dentro dessa estrutura capitalista.

Entre os argumentos do “voto crítico” ao “a solidão do movimento” existe na verdade uma alteração no verdadeiro foco que deveria se ter as entidades e os movimentos sociais, que ao invés de responder ao imediatismo e ao terror como uma reflexão crítica, sentem a necessidade de seguir por um caminho estabelecido por uma vanguarda intelecutalizada e/ou uma direção carismática pautada em valores que estagnam o processos de transformações que poderiam ser necessário.

Construindo dessa forma “alianças temporárias” ou “alianças necessárias” em prol de um possível avanço social que poderia surgir, sabemos que toda transformação de fato não irá se realizar no protestos de rua, pois na verdade são espaços de embate e combate direto as imposições do patronato patriarcal e racista que insiste em retirar ou agravar os processos exploratórios. Essas “alianças temporárias” necessitam ser críticas, pois beneficiam uma parcela daqueles que acreditam ter algum tipo de poder e autodenominam a vanguarda ou direção do movimento, um preço alto que mais tarde pode ser revindicado em campanhas eleitoreiras ou em oportunismos que apenas irão trair e desgastar o movimento.

Meus argumentos não situam-se no sectarismo, mas na constituição de uma autonomia política e na defesa genuína de ideais referentes a constituição de um esforço de consolidação de trabalhos de base, isso não significa abdicar de lutas genuinamente estabelecidas pelos movimentos sociais, se trata pelo contrário de valorizar e acreditar na potencialidade o poder popular, nesse sentido a constituição de espaços de diálogos permanentes parra que se possa compreender que determinadas alianças tem um preço muito alto para as entidades e movimentos sociais.

Segundo ponto, não se trata aqui de desmerecer do combate e o embate público, nada disso, pois como estratégia de luta o enfrentamento das ruas se estabelece como uma mecanismo de visibilidade importante para os movimentos sociais, no entanto quando a visibilidade não alcança as pautas e somente as marcas, ocorre um processo de alienação simbólica, em que o particular  - o nome de entidades e consequentemente o nome de pessoas – se torna mais importante do que as pautas e a história do próprio movimento, nesse sentido os movimentos sociais que sugerem alianças tem em mente, ou deveriam ter, sua concepção de sociedade bem explicita para evitar problemas estratégicos de tendem a surgir na hora em que o Estado pesa sua mão sobre os movimentos.

A “aliança temporária” com grupos políticos que se mostraram delatores, já se mostraram agressivos quando questionados em suas táticas e estratégias e que necessitam estar na direção do movimento para poder participar, são riscos altos que alguns movimentos podem correr. Riscos esses que auxiliam no processo de desarticulação e muitas vezes acabam construindo uma confusão ideológica dentro do movimento.

É perigoso pensar que diante de problemas imediatos que já possuem acúmulos político e experiência possam cair na armadilha de dessas possíveis aliança motivados pelo medo ou por não sentir-se forte o suficiente para realizar uma trabalho de base a longo prazo.

Estar lado a lado com o povo deve ser o objetivo de quem busca transformações na estrutura e impedir o avanço do capital sobre os direitos da população, a participação em protestos de rua é parte desse trabalho, mas não é todo o trabalho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário