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quarta-feira, 12 de março de 2014

Perseguição Homofóbica Institucionalizada


A violência estabelecida pelas instituições de poder se constitui como marca definidora de suas características de controle e coerção social, estabelecendo através de sua ação violenta uma tentativa de normatividade sobre os sujeito, temos exemplos extremos desse tipo de violência empregada por manicômios, presídios e mesmo escolas que empregam métodos violentos como instrumentos pedagógicos, se qualquer modo os agentes que constituem essas instituições incorporam sua lógica e são instrumentos dessa violência contra a sociedade.

Para os agentes institucionalizadores não existe a possibilidade de alternativas a normatividade estabelecida, dessa forma incorporando a violência como instrumento de ação, sua relação com os sujeitos é pautada a partir do não reconhecimento do outro, dessa forma empregando a violência para exterminar qualquer forma de diversidade social.

Nesse sentido se estabelece dentro da própria gênese das instituições a serviço do Estado um tipo de perseguição institucionalizado a tipos divergentes da ordem estabelecida - os fora da norma, ou como defeniria Becker, os Outsiders - que constituem ou representam em seu modo de vida a divergência do sistema estabelecido.

Dessa forma as relações estabelecidas por essa instituições, através do Estado, são pautadas em valores estabelecidos historicamente, sendo este uma afirmação hegemônica de um determinado grupo que detém um poder e se encontra dentro das instituições públicas, reproduzindo preconceitos sexuais, de gênero e de classe. O Estado representa dessa forma o homem branco heterossexual  e toda sua hierarquia o mantém no poder, assim tudo que vá de encontro a essa tipificação social acaba por se tornar um desvio que necessita ser resolvido.

A partir dos anos 90, o Brasil procura transformar paradigmaticamente as instituições de poder visando um democratização da sociedade, buscando dessa maneira a compreensão da diversidade humana e social, após um período intenso de repressão e autoritarismo que representou o governo militar desde 1964, existe a compreensão que as ações autoritárias dessas instituições ocorrem por um ranço que permanece nela por conta desse período. No entanto, acreditamos que esse ranço é na verdade consequência da gênese das instituições como membros diretos de um Estado que é excludente, dessa forma não é alterando as instituições, mas derrubando o Estado que conseguiremos nos organizar de forma livre e democrática, essas instituições que procuram legitimar a democracia, apenas tornam esta mais distante de sua realização, pois sua normatividade e burocracia estão sujeitas ao capital e ao própria rega do Estado.

Essa afirmação parte do pressuposto que o Estado não reconhece os tipos de violência empregadas contra determinados grupos da sociedade como sendo diferentes de outra, por exemplo, não reconhece o femícidio - violência contra o gênero feminino que leva a morte, apenas por serem mulheres -  e nem a homofobia como sendo violência típicas que levam não somente a agressão do público LGBT, como sua morte apenas pela sua existência.

Criando dessa forma um discurso equivocado de igualdade que é falseado, pois o temor igual é apenas para aqueles que não quebram as normas sexuais estabelecidas por detentores de poder. Como exemplo disso podemos citar a denúncia feita pelo Fórum LGBT a respeito da ação policial que ocorreu no dia 05 de Março, no KS Bar, localizado na Compensa II, onde policiais chegaram ao local chamando-o de "Bar da Machuda", uma referencia direta ao público do local em uma abordagem truculenta e lesbofóbica, estes agentes derramaram cervejas, jogaram spray de pimenta no rosto das frequentadoras do bar levando ao público local questionar e intervir na ação, o que gerou mais tumulto levando a prisão de 4 pessoas, que permaneceram mais de um hora enclausuradas no caminhão.

Fonte: Sebastiana

Essa peserguição homófobica institucionalizada, se repete em diversas abordagens pelo país a fora, com casos de mulheres sendo espancadas por serem lésbicas, travestis sendo presos bem como os descasos como assassinatos movidos por homofobia, só no ano passado 13 homossexuais foram mortos.


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