O dia 08 de Março é um
dia importante tanto para relembramos às lutas travadas pelas mulheres, bem
como para realizar a chamada para luta feminista.
Nas fábricas, nas
escolas, em casa e no escritório, os espaços masculinos ainda são
predominantes, impondo valores e estruturando métodos masculinos, nos sujeitado
a uma ordem estabelecida por uma cultura patriarcal, do mesmo modo que o
capital procurar transformar nossa condição em mecanismos de exploração, a luta
feminista é a saída para rompimento com essa sociedade patriarcal, nem amo e
nem patrão, mulheres livres apenas.
Para tanto a luta
feminina se travou ao longo da sociedade, por muitas vezes, sendo colocada em
segundo plano, quando na verdade tratava-se de protagonistas pela emancipação social,
de Louise Michel a Maria Lacerda de Moura, de Maria Célia a Maria da Penha, bem
como diversas mulheres que arriscaram tudo para romper com todas as formas de
opressão.
A luta feminina contra
a ditadura foi estabelecidas por diversas companheiras que enfrentaram de
frente os aparelhos repressores do Estado, estiveram em todos os tipos de
frente de luta, da propaganda a informação, do abastecimento a luta armada,
arriscando suas vidas por um projeto de sociedade livre, essas mulheres foram
heroínas que combateram de frente as forças fascistas do Estado Brasileiro, hoje,
50 anos desde que o golpe militar foi estabelecido na sociedade brasileira,
ainda vemos ações fascistas e opressoras em nossa sociedade. Do mesmo modo há
mulheres lutando por uma sociedade emancipada, do mesmo modo a luta feminista
permanece firme com companheiras que cotidianamente arriscam suas vidas em prol
de uma sociedade livre.
A CAAM nesse dia 08 de
Março busca traze algumas das trajetórias de algumas companheiras vítimas da
ditadura que ousaram lutar contra uma ditadura estabelecida, que como milhões
de mulheres foram torturadas, estupradas e assassinadas por militares.
Alceri
Maria Gomes Da Silva (1943 – 1973)
A companheira Alceri
era militante do movimento operário, em 1967 informou a sua família que iria
para São Paulo para lutar contra o Regime Militar. Depoimentos dos presos
políticos denunciou o assassinato da companheira por agentes da Operação
Bandeirantes (Oban), chefiada pelo capitão Mauricio Lopes Lima. O corpo da
companheira nunca pode ser resgatado. De
acordo com o laudo da necropsia assinado
pelo médico legista João Pagenotto e Paulo Augusto Queiroz Rocha, duas balas atingiram o braço e o peito,
enquanto outras duas penetraram pelas
costas, alcançando a coluna.
Heleny
Ferreita Telles Guaribi (1941-1971)
Heleny trabalhou
trabalhou com teatro boa parte de sua vida, fazendo inúmeros cursos, inclusive em
Berlim. Foi contratada pela prefeitura de Santo André para dirigir o grupo de
teatro da cidade, onde desenvolveu inúmero trabalhos culturais, com o AI-5 teve
seu trabalho interrompido. Foi presa em 1970, por sua militância na VPR. Heleny
foi torturada pela Operação Bandeirante (DOI-Codi/SP) pelos capitães Albernaz e
Homero. Ficou internada no Hospital Militar dois dias, em razão de hemorragia
provocada pelos espancamentos, até ser transferida para o Dops/SP e depois para
o Presídio Tiradentes.
Solta em abril de 1971,
a militante preparava-se para deixar o país quando, três meses depois, em 12 de
julho, foi presa no Rio de Janeiro por agentes do DOI-Codi/RJ, juntamente com
Paulo de Tarso Celestino da Silva, da ALN.
Seus familiares e
advogados fizeram buscas persistentes por todos os órgãos de segurança. Um
brigadeiro chegou a confidenciar a uma amiga de parentes de Heleny ter visto o
nome dela numa lista de presos da Aeronáutica. Apesar do silêncio e da negativa
sistemática das autoridades, as provas acerca da prisão e do desaparecimento
dos dois militantes foram sendo coletadas. Inês Etienne Romeu, em seu relatório
de prisão, testemunhou que, durante o
período em que esteve sequestrada no sítio clandestino em Petrópolis (RJ),
conhecido como “Casa da Morte”, ali estiveram, no mês de julho de 1971, dentre
outros desaparecidos, Walter Ribeiro Novaes, Paulo de Tarso e uma moça, que
acredita ser Heleny. Lá, ela foi torturada durante três dias, inclusive com
choques elétricos na vagina.
Fonte: Direito a
Memoria e A verdade: Luta, substantivo feminino. Tatiana Melino – São Paulo.
Editora Caros Amigos. 2010.

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