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quarta-feira, 12 de março de 2014

Torturadas, Estupradas e Assassinadas – As Mulheres e a Ditadura

Marilene Villas Boas Pinto (1948 – 1971)

Estudante do segundo ano de Psicologia, no Rio de Janeiro. Marilene passou a viver na clandestinidade em 1969. A versão oficial  divulgada pelos órgãos  de segurança, foi a de que Marilene e seu companheiro entraram em enfrentamento como agentes da brigada  de paraquedista do Exército.







Iara Iavelberg, (1944 – 1971)

Durante muito tempo prevaleceu a versão de que Iara Iavelberg teria cometido suicídio com um tiro no coração, para fugir das torturas. Iara foi uma das mais procuradas pelos órgãos de repressão pelo seu envolvimento amoroso com Lamarca, na mesma operação que levou a sua morte Nilda Carvalho de Cunha (17 anos) também seria presa Durante as mobilizações estudantis de 1968 foi protagonista junto ao movimento estudantil, foi militante da Política Operária (POLOP), da VAR-Palmares e da VPR, tendo ingressado no MR-8 poucos meses antes de morrer.



Nilda Carvalho de Cunha (1954 – 1971) 


Nilda Carvalho foi presa na madrugada de 19 para 20 de agosto de 1971, no cerco montado ao apartamento onde morreu Iara. Ela foi solta em inicio de novembro, mas morreu dia 14 de Novembro, como sintomas de cegueira e asfixia. No relato do livro Lamarca, o capitão da guerrilha, É registrado o seguinte dialogo.
– Você já ouviu falar de Fleury? Nilda empalideceu, perdia o controle diante daquele homem corpuloso. – Olha, minha fi lha, você vai cantar na minha mão, porque passarinhos mais velhos já cantaram. Não é você que vai fi car calada [...]. Dos que foram presos no apartamento do edifício Santa Terezinha, apenas Nilda Cunha e Jaileno Sampaio ficaram no Quartel do Barbalho. Ela, aos 17 anos, ele, com 18. – Mas eu não sei quem é o senhor... – Eu matei Marighella. Ela entendeu e foi perdendo o controle. Ele completava: – Vou acabar com essa sua beleza – e alisava o rosto dela. Ali estava começando o suplício de Nilda. Eram ameaças seguidas, principalmente as do major Nilton de Albuquerque Cerqueira. Ela ouvia gritos dos torturados, do próprio Jaileno, seu companheiro, e se aterrorizava com aquela ameaça de violência num lugar deserto. Naquele mesmo dia vendaram-lhe os olhos e ela se viu numa sala diferente quando pôde abri-los. Bem junto dela estava um cadáver de mulher: era Iara, com uma mancha roxa no peito, e a obrigaram a tocar naquele corpo frio. No início de novembro, decidem libertá-la. Nilda, então, vai ao quartel-general, junto com dona Esmeraldina, pedir autorização para visitar Jaileno. O chefe da 2a Seção não permite. Na saída, descendo as escadas, ela grita: – Minha mãe, me segure que estou fi cando cega. Foi levada num táxi, chorando, sentindo-se sufocada, não conseguia respirar. Daí para a frente foi perdendo o equilíbrio: depressões constantes, cegueiras repentinas, às vezes um riso desesperado, o olhar perdido. Não dormia, tinha medo de morrer dormindo, chorava e desmaiava. – Eles me acabaram, repetia sempre [...].


Os documentos a respeito de sua morte nunca foram encontrados e/ou desparecera durante a década de 80, a mãe de Nilda foi ameaçada diversas vezes, sendo inclusive mais tarde vítima dos mesmos torturadores.


Fonte: Direito a Memoria e A verdade: Luta, substantivo feminino. Tatiana Melino – São Paulo. Editora Caros Amigos. 2010.

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