Estudante do segundo
ano de Psicologia, no Rio de Janeiro. Marilene passou a viver na
clandestinidade em 1969. A versão oficial
divulgada pelos órgãos de
segurança, foi a de que Marilene e seu companheiro entraram em enfrentamento
como agentes da brigada de paraquedista
do Exército.
Iara Iavelberg, (1944 –
1971)
Durante muito tempo
prevaleceu a versão de que Iara Iavelberg teria cometido suicídio com um tiro
no coração, para fugir das torturas. Iara foi uma das mais procuradas pelos órgãos
de repressão pelo seu envolvimento amoroso com Lamarca, na mesma operação que
levou a sua morte Nilda Carvalho de Cunha (17 anos) também seria presa Durante as
mobilizações estudantis de 1968 foi protagonista junto ao movimento estudantil,
foi militante da Política Operária (POLOP), da VAR-Palmares e da VPR, tendo
ingressado no MR-8 poucos meses antes de morrer.
Nilda Carvalho de Cunha
(1954 – 1971)
Nilda Carvalho foi presa
na madrugada de 19 para 20 de agosto de 1971, no cerco montado ao apartamento
onde morreu Iara. Ela foi solta em inicio de novembro, mas morreu dia 14 de
Novembro, como sintomas de cegueira e asfixia. No relato do livro Lamarca, o capitão da guerrilha, É
registrado o seguinte dialogo.
–
Você já ouviu falar de Fleury? Nilda empalideceu, perdia o controle diante
daquele homem corpuloso. – Olha, minha fi lha, você vai cantar na minha mão,
porque passarinhos mais velhos já cantaram. Não é você que vai fi car calada
[...]. Dos que foram presos no apartamento do edifício Santa Terezinha, apenas
Nilda Cunha e Jaileno Sampaio ficaram no Quartel do Barbalho. Ela, aos 17 anos,
ele, com 18. – Mas eu não sei quem é o senhor... – Eu matei Marighella. Ela
entendeu e foi perdendo o controle. Ele completava: – Vou acabar com essa sua beleza
– e alisava o rosto dela. Ali estava começando o suplício de Nilda. Eram
ameaças seguidas, principalmente as do major Nilton de Albuquerque Cerqueira.
Ela ouvia gritos dos torturados, do próprio Jaileno, seu companheiro, e se
aterrorizava com aquela ameaça de violência num lugar deserto. Naquele mesmo
dia vendaram-lhe os olhos e ela se viu numa sala diferente quando pôde
abri-los. Bem junto dela estava um cadáver de mulher: era Iara, com uma mancha roxa
no peito, e a obrigaram a tocar naquele corpo frio. No início de novembro,
decidem libertá-la. Nilda, então, vai ao quartel-general, junto com dona
Esmeraldina, pedir autorização para visitar Jaileno. O chefe da 2a Seção não
permite. Na saída, descendo as escadas, ela grita: – Minha mãe, me segure que
estou fi cando cega. Foi levada num táxi, chorando, sentindo-se sufocada, não
conseguia respirar. Daí para a frente foi perdendo o equilíbrio: depressões
constantes, cegueiras repentinas, às vezes um riso desesperado, o olhar
perdido. Não dormia, tinha medo de morrer dormindo, chorava e desmaiava. – Eles
me acabaram, repetia sempre [...].
Os documentos a
respeito de sua morte nunca foram encontrados e/ou desparecera durante a década
de 80, a mãe de Nilda foi ameaçada diversas vezes, sendo inclusive mais tarde
vítima dos mesmos torturadores.
Fonte: Direito a
Memoria e A verdade: Luta, substantivo feminino. Tatiana Melino – São Paulo.
Editora Caros Amigos. 2010.


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