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domingo, 27 de julho de 2014

Não nos querem aqui! Existir é Resistir! – Não sou homem/branco/burguês – Reflexões a respeito dos espaços sociais dentro de uma Universidade no Amazonas e da luta contra o modelo hegemônico


A educação se torna parte essencial para o desenvolvimento do modelo eurocêntrico de produção capitalista/patriarcal, estabelecendo e elegendo determinados tipos de conhecimento a serem desenvolvidos formalmente por todos os sujeitos em todas as partes do mundo, os processos totalitários de mundialização, estabelecidos pelas formas da economia financeira, tornam o conhecimento/instrução como parte integrante de um processo disciplinador, para a reprodução de seus mecanismos opressores e autoritários.
Em outras palavras, as escolas, centros técnicos, faculdades e universidades, manuseiam a instabilidade social inerente às relações conflituosas entre aqueles que detêm e aqueles que são despossuídos, para além da luta de classe, essas instituições também reproduzem normatizações que visam controlar e engessar diversas formas de gênero, sexualidade e cultura que a sociedade apresenta.

A Universidade se torna um espaço social de reprodução de técnica de conhecimento e de validação da realidade, buscando dessa forma ditar o que é real e o que não é, seu processo disciplinante segue a mesma lógica competitiva – pilar da sociedade patriarcal/capitalista – a partir de um exame nacional que cerceia  80% de sua demanda que almeja adentrar na Universidade Pública. Para tanto, o Estado cria mecanismo de transferências de recursos públicos para a iniciativa privada, tendo como ponto de partida programas que são essenciais para que os sujeitos possam adentrar ao mercado de trabalho.

O ensino técnico torna-se parte essencial do tipo de governabilidade que tenta conciliar o inconciliável, abrindo concessões que prejudicam e empurram os sujeitos para um determinado modelo de produção, desde o ensino fundamental até em todas as etapas do ensino superior.

No entanto, isso não ocorre de maneira explícita, essa ação se inicia como um processo de controle comportamental em massa, desde a tenra idade até a vida adulta, quem sofre com esse tipo de educação é a população negra e indígena, que tem castrada a possibilidade de construção de uma identidade ancestral dentro desses espaços, nesse sentido, mesmo com medidas – leis, decretos, políticas públicas, investimentos – disciplinas voltadas para a cultura afro e indígena são raríssimas. Na Universidade essa preocupação é colocada em segundo plano sob a desculpa que o conteúdo a respeito de nossa ancestralidade é perpassado dentro de muitas disciplinas sobre o estabelecimento do conhecimento no Brasil, essa mentira apenas coloca na ignorância um país em que 50% da população é negra.

Enquanto isso, as mulheres sofrem cotidianamente assédios por parte de professores e colegas, sem que se tomem medidas sérias para a desconstrução do modelo patriarcal, isto é, as mulheres são estupradas, assediadas, silenciadas e agredidas sem que essa violência cotidiana seja dada a devida importância, lhe é negada também o conhecimento da história das mulheres, já que não há uma preocupação em criticar o modelo de mulher estabelecido por essa sociedade, pelo contrário querem violentar as mulheres simbolicamente, apesar de número de mulheres ser bem maior do que de homens na Universidade.

A exclusão de conteúdos pedagógicos que envolvam debates a respeito da homossexualidade, transsexualidade, de gênero e de transgênero é repudiado em todas as etapas da educação, construindo um processo de invisibilidade social e incapacitando a construção de dialogo.

Ocorre na verdade que essa sociedade patriarcal/branca/capitalista criou as regras do jogo em que nós devemos nos adequar - e muitas vezes morrer tentando se adequar-, pois não são espaços seguros paras mulheres, não são espaços seguros para negros, e não são espaços seguros para homossexuais e transexuais. Mesmo com um programa de cotas que deve ser defendido, o racismo inerente se perpetua, através de um conjunto intelectual branco que manuseia simbolicamente o conhecimento.

Dessa forma a Universidade deveria ser o espaço de liberdade e democracia direta, no entanto, temos apenas um espaço de reajuste social de todos os sujeitos, esse espaço não garante para a classe trabalhadora nenhum ganho de fato, pois a intelectualidade branca burguesa manuseia o conhecimento para colocar trabalhadores contra trabalhadores, mulheres contra mulheres, negros contra negros, sendo o celeiro ideológico que valida as diferenças sociais, mas não reconhece a necessidade das particularidade sociais dos grupos que atuam na sociedade.

A Universidade, pelo contrário crias diversos mecanismos para dificultar e expurgar as personas não gratas quer seja através da incorporação metodológica burocrática, que ignora as experiências sociais da sociedade, quer seja através da perpetuação de preconceitos formalizados nos discursos dos senhores do conhecimento.

Metodologicamente, pois exige de tod@s o desenvolvimento de metodologia de estudos, pesquisa e de ação, método esse que busca separar o sujeito de um objeto tipificado ideologicamente, ou seja, reproduzindo os processos de alienação que se faz necessário para a perpetuação da realidade como dada. Já os preconceitos formais se apresentam na permicividade que essa intelectualidade procura manter, não reconhecendo as violência cotidianas que ocorrem nos corredores e nas salas de aula, esse não reconhecimento perpetua a construção de personalidades autoritárias.

Personalidade autoritárias que são constituídas de poderes especiais dentro do que é conhecido como campo acadêmico, que lhe permite verbalizar todo tipo de preconceitos sem que lhe seja questionada sua autoridade, não a toa no ICHL/UFAM temos relatos de diversas dessa autoridades que produzem e reproduzem preconceitos de classe, gênero, étnicos e sexuais, procurando dessa forma manter a ordem vigente.

Servindo de modelo social a ser assumido, perpetuando e validando comportamentos autoritários entre técnicos e estudantes, mesmo o mais obtuso dos sujeitos percebe que essa concentração de autoridade se encontra na figura do docente, que exerce sua posição a partir de uma hierarquia validada dentro do campo, onde o conhecimento é moeda de troca essencial para o desenvolvimento desse comportamento.

Enquanto isso, a permanências de pobres, mulheres, homossexuais, negros e indígenas nas Universidade Brasileiras é em si uma existência de resistência constante, de enfrentamento constante, pois esse espaço não é um lugar bem vindo para esses grupos sociais.

Nem mesmo nos espaços ditos “libertários” dentro da universidade esse espaço é garantido, pelo contrário, as existências de indivíduos advindos de outras classes sociais, procuram ser moldados e estrategicamente disciplinadas em um modelo de militância hegemônico, mantido pela categoria de homem/branco/burguês, não a toa no seio dessas lutas o movimento feminista procurar bater de frente contra todo tipo de autoridade que venha de impor seu modelo de ação.

Também não a toa, não se cria dentro do movimento estudantil branco/burguês modelos que possam permitir o acesso de estudantes advindo de classes sociais trabalhadoras e/ou adivindo, pelo contrário continua perpetuando mecanismos autoritários e modelos pré estabelecidos por personalidades autoritárias.
Na verdade, o modelo representativo de centro acadêmico perpetua um discurso burocrático, centralizador onde o dialogo é realizado de forma instrumental entre instituições e não entre sujeito e sujeito. Mesmo que se trate de grupos socialistas ou que ampla capacidade de comunicação, o modelo de movimento estudantil burguês se pauta na verdade em um modelo democrático representativo e não de democracia direta.

Nesse sentido a individualidade social possível se perde e transmuta-se em um serie burocrática que vira um documento a ser encaminhado para alguma instituição, enquanto isso os espaços de ação comunicativa são cada vez mais difíceis de serem estabelecidos.

As condições dadas pela conjuntura econômica neoliberal e neocolonialista fixa-se em um processo de individualização capitalista do conhecimento, onde existe uma carreira individual a ser defendida, em quanto as questões coletivas são deixadas de lado em prol de um necessidade de existência e permanência na Universidade.

Nesse sentido a assistência estudantil ao invés de ser um direito garantido, em nossa Universidade se torna moeda de troca  e mecanismo de lupenproletarização estudantil, incorporando ainda mais o sujeito a instituição para que dessa forma possa cercear qualquer os mecanismo de rebeldia, já que não há garantias de direito e exercendo seu poder sobre os estudantes.

Nessa complexa rede, o estudante que deveria ser o protagonista da Universidade, se torna na verdade o exercito de exploração para a validação que as personalidades autoritárias manuseiam como objetos, sem qualquer preocupação com o outro.

É nesse espaço opressor e altamente repressivo que @ estudante que procurar resistir de forma homérica para poder ter acesso ao conhecimento e procurar instruir-se, a sala de aula se torna o galpão de trabalho e a cela de torturas a serem suportadas pel@s estudantes que negam assumir esse modelo.

Ou seja, no espaço em que não foi feito para que ess@ indígena, trabalhador@, estudante, negr@s, homossexuais e pobre possam permanecer, ainda são cerceados de exercer qualquer outro tipo de comportamento que não seja adequado ao modelo vigente estabelecido.

Existir nesse espaço já é uma afronta e por isso todos aqueles que se encontra no modelo estabelecido pelo homem branco, pela classe burguesa, unem força contra tod@s aquel@s que questionam sua autoridade, estabelecem regras e normalizam práticas que vão de encontro à existência daqueles que não de enquadram no modelo.

Reagir a essa agressão cotidiana é único mecanismo que nós temos de desconstruir esse modelo, ação política direta dever ser exercitada cotidianamente do mesmo modo que a violência exercida sobre nós é rotinizada. A  reação daquel@s que são oprimid@s nesse espaço não pode ser vista como mera violência, trata-se de autopreservação e autodefesa, que aqueles que não concordam procuram deslegitimar constantemente.

A minha existência constrange esses sujeitos, o faz lembrar que existem pobres, que as mulheres são estupradas, que indígenas são assassinados e negr@s são escravizad@s ainda nessa etapa da “civilização”, eles festejam e incentiva quando um@ de nós se incorpora ao seu modelo e com a esperança que um dia as coisas vão mudar.

Esse espaço não vai se modificar se assumirmos a ética e o comportamento estabelecido, é preciso criar outras maneiras de relacionar-se e existir, quebrar o silêncio das violências sofridas, romper com a falsa paz entre sujeitos de classes tão diferentes que exercitam seu comportamento autoritários sobre outras pessoas.
Por mais companheiros que pareçam ser, na hora do enfrentamento eles se colocarão lado de sua classe, por isso os técnicos são silenciados depois de um greve que já dura mais de 40 dias, por isso homens atacam mulheres dentro do campus, por isso que piadas racistas são permitidas, por isso que atitudes autoritárias são perpetuadas dentro de sala de aula.

Pois NÃO NOS QUEREM AQUI, NOSSA EXISTÊNCIA OS INCOMODA CADA SURPIRO COMPARTILHADO É UMA AFRONTA AO SEU MODO DE VIDA, POR QUE NÃO SOMOS HOMEM/BRANCO/BURGUÊS.


Não é preciso de um movimento unificado, acredito na particularidade e na pluralidade, na capacidade de manter as diferenças quando essas nos tornam únic@s e reforçam nossa identidade. Bem como constituir aproximação quando estas fortalecem a derrocada das formas de opressão que sofremos.

Um comentário:

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