A educação se torna
parte essencial para o desenvolvimento do modelo eurocêntrico de produção
capitalista/patriarcal, estabelecendo e elegendo determinados tipos de
conhecimento a serem desenvolvidos formalmente por todos os sujeitos em todas
as partes do mundo, os processos totalitários de mundialização, estabelecidos
pelas formas da economia financeira, tornam o conhecimento/instrução como parte
integrante de um processo disciplinador, para a reprodução de seus mecanismos
opressores e autoritários.
Em outras palavras, as
escolas, centros técnicos, faculdades e universidades, manuseiam a
instabilidade social inerente às relações conflituosas entre aqueles que detêm
e aqueles que são despossuídos, para além da luta de classe, essas instituições
também reproduzem normatizações que visam controlar e engessar diversas formas
de gênero, sexualidade e cultura que a sociedade apresenta.
A Universidade se torna
um espaço social de reprodução de técnica de conhecimento e de validação da
realidade, buscando dessa forma ditar o que é real e o que não é, seu processo
disciplinante segue a mesma lógica competitiva – pilar da sociedade
patriarcal/capitalista – a partir de um exame nacional que cerceia 80% de sua demanda que almeja adentrar na
Universidade Pública. Para tanto, o Estado cria mecanismo de transferências de
recursos públicos para a iniciativa privada, tendo como ponto de partida
programas que são essenciais para que os sujeitos possam adentrar ao mercado de
trabalho.
O ensino técnico
torna-se parte essencial do tipo de governabilidade que tenta conciliar o
inconciliável, abrindo concessões que prejudicam e empurram os sujeitos para um
determinado modelo de produção, desde o ensino fundamental até em todas as
etapas do ensino superior.
No entanto, isso não
ocorre de maneira explícita, essa ação se inicia como um processo de controle
comportamental em massa, desde a tenra idade até a vida adulta, quem sofre com
esse tipo de educação é a população negra e indígena, que tem castrada a
possibilidade de construção de uma identidade ancestral dentro desses espaços,
nesse sentido, mesmo com medidas – leis, decretos, políticas públicas,
investimentos – disciplinas voltadas para a cultura afro e indígena são
raríssimas. Na Universidade essa preocupação é colocada em segundo plano sob a
desculpa que o conteúdo a respeito de nossa ancestralidade é perpassado dentro
de muitas disciplinas sobre o estabelecimento do conhecimento no Brasil, essa
mentira apenas coloca na ignorância um país em que 50% da população é negra.
Enquanto isso, as
mulheres sofrem cotidianamente assédios por parte de professores e colegas, sem
que se tomem medidas sérias para a desconstrução do modelo patriarcal, isto é,
as mulheres são estupradas, assediadas, silenciadas e agredidas sem que essa
violência cotidiana seja dada a devida importância, lhe é negada também o
conhecimento da história das mulheres, já que não há uma preocupação em
criticar o modelo de mulher estabelecido por essa sociedade, pelo contrário
querem violentar as mulheres simbolicamente, apesar de número de mulheres ser
bem maior do que de homens na Universidade.
A exclusão de conteúdos
pedagógicos que envolvam debates a respeito da homossexualidade,
transsexualidade, de gênero e de transgênero é repudiado em todas as etapas da
educação, construindo um processo de invisibilidade social e incapacitando a
construção de dialogo.
Ocorre na verdade que
essa sociedade patriarcal/branca/capitalista criou as regras do jogo em que nós
devemos nos adequar - e muitas vezes morrer tentando se adequar-, pois não são
espaços seguros paras mulheres, não são espaços seguros para negros, e não são
espaços seguros para homossexuais e transexuais. Mesmo com um programa de cotas
que deve ser defendido, o racismo inerente se perpetua, através de um conjunto
intelectual branco que manuseia simbolicamente o conhecimento.
Dessa forma a
Universidade deveria ser o espaço de liberdade e democracia direta, no entanto,
temos apenas um espaço de reajuste social de todos os sujeitos, esse espaço não
garante para a classe trabalhadora nenhum ganho de fato, pois a
intelectualidade branca burguesa manuseia o conhecimento para colocar
trabalhadores contra trabalhadores, mulheres contra mulheres, negros contra
negros, sendo o celeiro ideológico que valida as diferenças sociais, mas não
reconhece a necessidade das particularidade sociais dos grupos que atuam na
sociedade.
A Universidade, pelo
contrário crias diversos mecanismos para dificultar e expurgar as personas não
gratas quer seja através da incorporação metodológica burocrática, que ignora
as experiências sociais da sociedade, quer seja através da perpetuação de
preconceitos formalizados nos discursos dos senhores do conhecimento.
Metodologicamente, pois
exige de tod@s o desenvolvimento de metodologia de estudos, pesquisa e de ação,
método esse que busca separar o sujeito de um objeto tipificado
ideologicamente, ou seja, reproduzindo os processos de alienação que se faz
necessário para a perpetuação da realidade como dada. Já os preconceitos formais
se apresentam na permicividade que essa intelectualidade procura manter, não
reconhecendo as violência cotidianas que ocorrem nos corredores e nas salas de
aula, esse não reconhecimento perpetua a construção de personalidades
autoritárias.
Personalidade
autoritárias que são constituídas de poderes especiais dentro do que é
conhecido como campo acadêmico, que lhe permite verbalizar todo tipo de
preconceitos sem que lhe seja questionada sua autoridade, não a toa no
ICHL/UFAM temos relatos de diversas dessa autoridades que produzem e reproduzem
preconceitos de classe, gênero, étnicos e sexuais, procurando dessa forma
manter a ordem vigente.
Servindo de modelo
social a ser assumido, perpetuando e validando comportamentos autoritários
entre técnicos e estudantes, mesmo o mais obtuso dos sujeitos percebe que essa
concentração de autoridade se encontra na figura do docente, que exerce sua
posição a partir de uma hierarquia validada dentro do campo, onde o
conhecimento é moeda de troca essencial para o desenvolvimento desse
comportamento.
Enquanto isso, a
permanências de pobres, mulheres, homossexuais, negros e indígenas nas
Universidade Brasileiras é em si uma existência de resistência constante, de
enfrentamento constante, pois esse espaço não é um lugar bem vindo para esses
grupos sociais.
Nem mesmo nos espaços
ditos “libertários” dentro da universidade esse espaço é garantido, pelo
contrário, as existências de indivíduos advindos de outras classes sociais,
procuram ser moldados e estrategicamente disciplinadas em um modelo de
militância hegemônico, mantido pela categoria de homem/branco/burguês, não a
toa no seio dessas lutas o movimento feminista procurar bater de frente contra
todo tipo de autoridade que venha de impor seu modelo de ação.
Também não a toa, não se
cria dentro do movimento estudantil branco/burguês modelos que possam permitir
o acesso de estudantes advindo de classes sociais trabalhadoras e/ou adivindo,
pelo contrário continua perpetuando mecanismos autoritários e modelos pré
estabelecidos por personalidades autoritárias.
Na verdade, o modelo
representativo de centro acadêmico perpetua um discurso burocrático,
centralizador onde o dialogo é realizado de forma instrumental entre
instituições e não entre sujeito e sujeito. Mesmo que se trate de grupos
socialistas ou que ampla capacidade de comunicação, o modelo de movimento
estudantil burguês se pauta na verdade em um modelo democrático representativo
e não de democracia direta.
Nesse sentido a
individualidade social possível se perde e transmuta-se em um serie burocrática
que vira um documento a ser encaminhado para alguma instituição, enquanto isso
os espaços de ação comunicativa são cada vez mais difíceis de serem
estabelecidos.
As condições dadas pela
conjuntura econômica neoliberal e neocolonialista fixa-se em um processo de
individualização capitalista do conhecimento, onde existe uma carreira
individual a ser defendida, em quanto as questões coletivas são deixadas de
lado em prol de um necessidade de existência e permanência na Universidade.
Nesse sentido a
assistência estudantil ao invés de ser um direito garantido, em nossa
Universidade se torna moeda de troca e
mecanismo de lupenproletarização estudantil, incorporando ainda mais o sujeito
a instituição para que dessa forma possa cercear qualquer os mecanismo de
rebeldia, já que não há garantias de direito e exercendo seu poder sobre os
estudantes.
Nessa complexa rede, o
estudante que deveria ser o protagonista da Universidade, se torna na verdade o
exercito de exploração para a validação que as personalidades autoritárias
manuseiam como objetos, sem qualquer preocupação com o outro.
É nesse espaço opressor
e altamente repressivo que @ estudante que procurar resistir de forma homérica
para poder ter acesso ao conhecimento e procurar instruir-se, a sala de aula se
torna o galpão de trabalho e a cela de torturas a serem suportadas pel@s
estudantes que negam assumir esse modelo.
Ou seja, no espaço em
que não foi feito para que ess@ indígena, trabalhador@, estudante, negr@s,
homossexuais e pobre possam permanecer, ainda são cerceados de exercer qualquer
outro tipo de comportamento que não seja adequado ao modelo vigente
estabelecido.
Existir nesse espaço já
é uma afronta e por isso todos aqueles que se encontra no modelo estabelecido
pelo homem branco, pela classe burguesa, unem força contra tod@s aquel@s que
questionam sua autoridade, estabelecem regras e normalizam práticas que vão de
encontro à existência daqueles que não de enquadram no modelo.
Reagir a essa agressão
cotidiana é único mecanismo que nós temos de desconstruir esse modelo, ação
política direta dever ser exercitada cotidianamente do mesmo modo que a
violência exercida sobre nós é rotinizada. A
reação daquel@s que são oprimid@s nesse espaço não pode ser vista como
mera violência, trata-se de autopreservação e autodefesa, que aqueles que não
concordam procuram deslegitimar constantemente.
A minha existência
constrange esses sujeitos, o faz lembrar que existem pobres, que as mulheres
são estupradas, que indígenas são assassinados e negr@s são escravizad@s ainda
nessa etapa da “civilização”, eles festejam e incentiva quando um@ de nós se
incorpora ao seu modelo e com a esperança que um dia as coisas vão mudar.
Esse espaço não vai se
modificar se assumirmos a ética e o comportamento estabelecido, é preciso criar
outras maneiras de relacionar-se e existir, quebrar o silêncio das violências
sofridas, romper com a falsa paz entre sujeitos de classes tão diferentes que
exercitam seu comportamento autoritários sobre outras pessoas.
Por mais companheiros
que pareçam ser, na hora do enfrentamento eles se colocarão lado de sua classe,
por isso os técnicos são silenciados depois de um greve que já dura mais de 40
dias, por isso homens atacam mulheres dentro do campus, por isso que piadas
racistas são permitidas, por isso que atitudes autoritárias são perpetuadas
dentro de sala de aula.
Pois NÃO NOS QUEREM
AQUI, NOSSA EXISTÊNCIA OS INCOMODA CADA SURPIRO COMPARTILHADO É UMA AFRONTA AO
SEU MODO DE VIDA, POR QUE NÃO SOMOS HOMEM/BRANCO/BURGUÊS.
Não é preciso de um
movimento unificado, acredito na particularidade e na pluralidade, na
capacidade de manter as diferenças quando essas nos tornam únic@s e reforçam
nossa identidade. Bem como constituir aproximação quando estas fortalecem a
derrocada das formas de opressão que sofremos.
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