Existe sempre esse questionamento, se outra campanha é possível, se o voto nulo atinge sua objetividade e se não votar torna possível transformar nossa sociedade, nenhuma dessas estratégias terão efeito se antes de mais nada não prezarmos por uma construção política face a face, pela base, em trabalhos locais com pequenos grupos reunidos e trabalhando buscando alternativas. Nos obrigam a votar como se não tivéssemos alternativas, nos ensinam a escolher o menos pior.
Não podemos nos deixar levar por essas imposições, pois isso só nos aprisiona cada vez mais, se faz necessário acreditar em Outras possibilidades de luta, em uma outra forma de se fazer política, onde possamos de fato mudar as coisas ao nosso redor, onde a comunicação e a experiencia entre sujeitos seja mais importante que um papel ou número de série, não podemos nos render a esse mercado eleitoral que nos é proposto, precisamos construir nossa própria forma de fazer política.
Em 2005, o Exército Zapatista de Libertação Nacional[1], lança
a Outra Campanha, uma iniciativa que visa construir uma política por baixo,
pela base, ouvindo as entidades dos movimentos sociais e cada indivíduo, como
um exercício de retomada e ação política direta.
“O processo eleitoral começou e alguém virá dizer que nos apoiam e que irão resolver tudo. Nós afirmamos que eles não vão resolver absolutamente nada e nem os vemos trazer soluções, apenas problemas.” (EZLN, 2006)
A Outra Campanha compreende que um acordo entre os
dirigentes não traz beneficio algum a população, ao povo pobre, ao pequenx
produtorx, ax caboclx, ax indígena, ax negrx, pelo contrário, atrás das
promessas de campanha escondem as artimanhas e os acordos estabelecidos com os
poderosos.
O movimento Organização Popular – e outrxs – abraça essa
ideia proposta pelo EZNL buscando construir uma política social pelo povo e
para o povo de fato. Apresento alguns pontos modificados pelos quais concordo e
deixo na íntegra a cartilha do movimento Organização Popular.
- Outra campanha, para convocar a luta e a organização
popular, não para pedir votos, é o trabalho que nos mobiliza para fazer
política. Porque a política não é assunto só para especialistas e
representantes.
- Outra campanha para construir um povo forte, para unir os
movimentos sociaisq eu lutam, para fazer política com as próprias mãos com
independência em relação ao governo, ao partido, ao patrão, ao marido, ao homem
branco, pelas decisões em assembleias populares e da luta popular pela
diversidade e unidade.
- Outra campanha para que se rompa o grito abafado dos que
são deixado de lado, para construir a participação popular onde o poder faz
exclusão, para criar capacidade política pelos lugares de trabalho, estudo e moradia,
fora das instituições burocráticas burguesas que prendem nossas pernas e
aprisionam nossas almas. Pela cultura e os meios de comunicação comunitários.
- Outra campanha para construir poder popular, para acumular
forças com democracia de base e tomar de volta a política dos corruptos, das
oligarquias e dos grupos dominantes do poder. Para a derrocada da farsa
política.
Essa outra campanha pauta-se em uma retomada do poder, como
um escudo para as frustrações anunciadas por essa política perversa que insiste
em ludibriar a população. A outra campanha, esse vontade se encontra no coração
da população, pode ser sentido isso nas ruas, nas escolas, nas falas de todxs,
mas a mudança não virar através de candidatxs messianicxs.
As populações em diversas partes da América latina já sentem
a retomada do poder se aproximando, como uma onda, os ricos e poderosos temem
esse momento, não podemos cair nas mentiras e nas enganações de políticos
profissionais que se utilizam da nossa força para almejar votos, para ficarem
cada vez mais poderosos e ricos.
No Maranhão, moradores expulsam candidatos, na periferia da
cidade Manaus isso também acontece, a população já não aguenta mais as
mentiras.
Não vote, retome seu poder! Uma outra campanha é possível
1. O Exército Zapatista de Libertação Nacional é um grupo paramilitar que levantou-se em 1995 em defesa do produtores rurais, indígenas, campesinos e camponeses na defesa das terras originarias contra as grandes empresas, é um movimento de cunho popular e revolucionário, que investe em educação popular, autogestão, autodeterminação popular e empoderamento como estratégias de superação capitalista. É um movimento anticapitalista e de origem majoritariamente indígena.

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