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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O sufrágio como uma farsa institucional!



O sufrágio, de acordo com o dicionário é o direito ao voto, também pode significar adesão e aprovação, direito de eleitor, para outros dicionários seria voto emitido para a eleição de um candidato. Em termos gerais o nosso voto elege um representante com o qual compactuamos em ideia, que nos representa em um determinado campo político. Em um sindicato ou grêmio estudantil o voto é emetido na escolha de representantes que assumirão cargos administrativos para a organização das atividades da associação, em termos gerais, nas eleições estaríamos elegendo representantes que administrariam ações políticas em prol da gente.

Em todos os casos essa escolha implica juridicamente, que os legisladores do país – e somente eles – poderiam propor mudanças jurídicas e legislativas referentes à nossa vida cotidiana, leis e normas que deveriam ser respeitadas e que deveriam referir-se a vontade geral da população. Falo em termos vagos, pois politicamente são ações amplas tomadas por esses “representantes”.

Somente esses representantes tem o poder de propor leis, emendas constitucionais e agem dentro de uma norma política separada de outros cidadãos comuns, somente essa separação já seria o suficiente para colocar em xeque o que se acreditar ser democracia, para além disso, temos casos de corrupção, de conchavos e de traições em relação a vontade geral da população.

O que temos na verdade é um conjunto de “representantes”, em sua maioria, tão afastados das demandas da população, que realizam acordos entre si para quem mantém-se nas esferas políticos burocráticas do Estado, para dessa forma manusear o fluxo do capital em proveito próprio, aumentado a miséria humana e as desigualdades sociais.

Em uma análise prévia a culpa recairá sobre os indivíduos eleitos, mas não é só eles, existe uma estrutura social estabelecida, pautada em um modo de produção, que perpetua as desigualdades sociais presentes em nossa sociedade e instrumentaliza a violência para a manutenção de uma ordem social perversa, onde os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

Essa estrutura ou sistema procurar perpetuar o lucro e manutenção de determinados poderes – de classe, de gênero e étnicas – de um grupo pequeno de dirigentes, isso se reflete na diferença de riquezas e no déficit de distribuição de renda na sociedade, estabelecido por um mercado financeiro que dita regras comerciais e o fluxo da riqueza de formas internacionais.

Impondo dessa forma suas vontades e suas regras, o Estado é esse comitê dirigente da classe dominante, para tanto as instituições que o compõe, compactuam com seu modelo de administração e validam legalmente a miséria humana.

Dessa forma não adianta mudar os sujeitos, se o modelo Estatal permanece como sendo essa figura autoritária que esmaga centenas de mulheres e homens na sociedade, que destrói nossa natureza, que brutaliza nosso ser, essa organização que favorece o capital se perpetua mesmo nos “representantes políticos” que tomam posturas socialistas – ou pelo menos dita socialista – pois sua estratégia de inserção no Estado para modifica-lo se torna mais falha, ainda mais em um mundo globalizado em que vivemos, em que as fronteiras entre nacional e internacional se tornam cada vez mais frouxas e a face maligna do capital se apresenta cada vez mais presente.

É obvio que uma revolução socialista não acontecerá pelas urnas, o sufrágio é apenas uma farsa institucional que engana o povo, que iludi as populações étnicas que foram massacradas por esse mesmo Estado, não há acordo possível e de bom grado cedido por aqueles que detém o poder.


Precisamos tomar de volta o que nos foi roubado e usurpado desde que nascemos, empoderar-se é necessário.





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