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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

NÃO VOTAR ou VOTO NULO


Maria Lacerda de Moura já dizia há mais de um século atrás “[...] essas revindicações não se podem limitar a ação caridosa ou a um simples direito de voto que não vem, de modo algum, solucionar a questão da felicidade humana..” (MARIA LACERDA)

A fala dela me faz pensar, em dois pontos, primeiramente na ação caridosa que o Estado toma em relação aos movimentos sociais – de minorias – dentro do país, um discurso reacionário colocaria os movimentos sociais como vilões que realizam acordo com o Estado para receber a caridade dos poderosos, mas não se trata disso, o que ocorre são estratégias sofisticadas do comitê executivo empresarial para manter uma coesão social para que o capital possa manter-se em livre circulação. E o segundo ponto é a farsa do sufrágio como prática possível de transformação social

Maria Lacerda já havia percebido deste muito tempo que essas ações caridosas são apenas estratégias para docilizar os movimentos sociais, fingindo incorporar ao Estado suas pautas e defendendo o que deveria ser obvio, no entanto, mais que uma tática se torna uma pratica incorporada dentro de nossa subjetividade, que acomoda e normaliza a dominação presente na sociedade.

Criando dessa maneira a incapacidade de saídas do plano estabelecido pelo Estado, que se configura em mandatos de representantes do povo de 4 em 4 ano, representantes esses que se afastam tanto da realidade da maioria da população e que se perdem na lógica burocratizada do próprio Estado.

O sufrágio proposto pelo voto não se realiza se as questões básicas de existência da população não podem ser respeitadas, estas não seria por conta de uma gestão ou administração falha, não existe isso, pois a lógica capitalista não respeita e nunca ira respeitar as condições básicas de existências dxs trabalhadorxs, das mulheres, dxs negrxs, dxs indígenas.

A eleição é um circo armado, onde somos obrigadxs a votar, em um mesmo conjunto técnico político – de candidatos – que mantém a ordem vigente e reproduz o discurso dominante é uma farsa no sentido que não representa de fato a vontade do povo, pois ela não se personaliza em pessoas, a vontade do povo existe na experiência cotidiana de trabalho e de organização social, por mais que um candidato a assumir um cargo possa dispor-se a dialogar com a população, este será um articulador dentro do Estado e será a voz do Estado e não da população.

“Nas eleições o voto não serve para emitir uma opinião, mas para legitimar um mandato” (VIDAL, 1986)

Por isso o desespero para que não se vote nulo, sabemos que não se pode anular uma eleição apenas votando nulo, não se trata disso, se trata de realizamos a chamada para um processo de conscientização política, se trata de abandonar as práticas estabelecidas pela classe dirigente, que come bem, dorme bem e vive bem a custa da nossa existência na miséria.

Em diversos estados da federação a campanha do voto nulo e de não vote vem sendo silenciada e atacada por sendo uma inutilidade, mas o voto em si se torna anulado quando não há a participação popular ao longo do ano inteiro na política, quando nos é negado os direitos básicos, a educação e a saúde de qualidade, quando manifestantes são criminalizados em plena democracia.

Não há saídas para capital dentro do Estado, mesmo uma parlamento repleto de funcionárixs públicos socialistas, se perpetuarem a prática do Estado, estarão perpetuando uma lógica autoritária, precisamos retornar as bases de trabalho, em uma democracia face a face, cotidiana, em cada ato produtivo que tivermos pensarmos coletivamente e conjuntamente.

As eleições como podem ver são acordos e conchavos entre lobos, escolhendo quem vai atacar o rebanho e de que forma nas próximas eleições.


Não pretendo me estender mais que o necessário, mas deixar um recado se faz necessário, não deixem que roubem da gente nossa capacidade de agir politicamente, ela nos pertence, precisamos exercer nosso voto cotidianamente e não em urnas, nossa visão de mundo e política precisa ser transformada por um ideal mais amplo.


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