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domingo, 15 de dezembro de 2013

A questão indígena


'' Índio não existe mais''. '' Índio que usa roupa não é mais índio''. ''Estão atrapalhando o progresso do país''.'' Índio só quer direitos''.''Estes não são mais índios. São invasores de terras e posseiros''. Poderíamos ficar o dia todo listando as diversas frases que as pessoas criam ao discutirem sobre o tema INDIO. Paremos para pensar um pouco. Dizemos que os índios que usam roupa, internet, carro, etc não são mais índios. Bem, pelo visto, só o branco tem o direito de usufruir de confortos e utilidades que a modernidade trouxe. OS índios não, claro. Para poderem ser chamados como tal, devem estar totalmente isolados, nus, em uma oca feita de palha ou barro e afastados de qualquer outro elemento que interfira nos seus hábitos.



O descaso com esse grupo é tão grande que não reconhecemos, em nenhum momento, que o preconceito que temos com este grupo está enraizado, tanto por motivos históricos como por econômicos e políticos atualmente. Na Amazônia a mão-de-obra escrava predominante era a indígena (é preciso dizer predominante, pois também existiam escravos negros aqui, segundo relatos históricos, desde por volta do século XVIII). Na época da borracha, quem realmente sabia coletar o látex da seringueira para servir ao grande senhor de terra capitalista explorador e treinar os trabalhadores vindos do nordeste, iludidos por uma mentira de vida ganha na floresta, eram os indígenas. A cidade de Manaus é batizada com um nome de uma etnia já extinta, a dos Manaós. E depois, simplesmente dizemos que eles não existem! Os descartamos de nossa vida, simplesmente, como se tivessem desaparecido, em uma magia elaborada por feiticeiros interessados apenas em seus próprios objetivos: o do capital, da exploração, do lucro que os donos de cabeças de gado e de plantações de soja tanto anseiam, por intermédio da negação de um universo cultural! 


A mesma coisa que fizeram os missionários no século XVI ao querer impor à força outra religião, juntamente com pensamentos e costumes totalmente diferentes do que estão habituados, gerando conflitos, violência e massacre. '' Ah, mas se ele está na cidade, não é índio. É branco, que nem a gente''. Ser índio não é vestir um cocar, ter os olhos puxados e usar tanga. É muito mais além. Tem haver com um sentimento de pertencimento, de identidade. É sentir que você é indígena. E que participa de um grupo detentor de uma história, de uma economia, de uma religião, de uma moral, de uma cultura própria e finalmente, de uma terra própria, que há centenas de anos ocupavam. Contudo, pelo olhar do capitalismo, nada disso existe. Nada deve ser reparado. As cotas para índios, por exemplo, são motivo de críticas que, baseadas em um princípio de mérito, remetem à injustica para aqueles que estudaram incansavelmente em escolas particulares, em cursinhos caríssimos e que possuem condições materiais e imateriais muito mais privilegiadas do que outros grupos subjulgados por aqueles que possuem oncinhas a mais . 

 

 
Quase não vemos indígenas nas universidades. A ciência hoje ainda é, predominantemente, branca. O inacesso destes aos vários setores da sociedade, como educação, assistência social e saúde é notório. O Estado, atualmente, mantém uma política de não-diálogo com os movimentos sociais indígenas. Atualmente, está acontecendo uma ocupação de cerca de 200 índios se revezando na sede regional da FUNAI, na rua Maceió, no bairro vieiralves. Os jornais e a televisão simplesmente não dão a mínima para as reivindicações daquele grupo, e fizeram tímidas e pobres notícias. O objetivo deste levante é a saída do coordenador geral Eduardo Deisídio?. O argumento é de que esta pessoa não está cumprindo seu papel a frente da instituição, e que não conhece as demandas dos índios. Querem diálogo, mas o governo não dá. Por que? Porque o governo está do lado dos grandes empresários. Do capitalismo. E não daqueles que são explorados por esse sistema que massacra os indivíduos aé a última gota de suor. Este grupo que faz acontecer este zine acredita que somente uma tomada de consciência da realidade que vive e de uma organização de todos aqueles que também sofrem com esta escravidão baseada no dinheiro, no consumismo e na exploração dos menos favorecidos é capaz de enfrentar e de mostrar alternativas de uma nova sociedade que pode vir, onde índios, negros, mulheres, ou nenhum outro grupo será mais discriminado e violentado!SOMOS TODOS INDÍGENAS! SOMOS BARÉS, MUNDURUCUS, MURAS, KOKAMA E MAIS TODOS! ESTAMOS DO LADO DE VOCÊS! VAMOS À LUTA! CONTRA A LÓGICA DO CAPITAL! FORA RURALISTAS! 
 
 


 

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