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domingo, 15 de dezembro de 2013

A questão nacional como instrumento do fascismo.



A questão nacional se coloca desde o início da história, no primeiro momento, como dilema prático e teórico. Ocatvio Ianni


Nos últimos anos temos acompanhado constantes criticas ao Estado e ao Governo referente às condições de funcionamento dos serviços públicos, para além disso a critica se localiza na organização desses serviços dentro de uma lógica neoliberal que foi estabelecida desde antes de 1992 a partir da política de abertura de mercado proposta pelo presidente Fernando Collor de Mello, estruturando-se na presidência de Fernando Henrique Cardoso e sendo continuada com as políticas de empoderamento econômica instituídas pelas presidências do Partido dos Trabalhadores e aliados.

Ao longo de 21 anos as instituições de serviço público acompanham um processo de sucateamento social, que não poupa nenhuma área de atendimento social, indo da educação pública aos serviços de transporte públicos. Consequentemente, aliado a este processo de sucateamento, há também um aprofundamento do sistema capitalista a partir de uma globalização e a mudança de recursos nacionais para um fluxo de capital internacional ou a internacionalização do capital (IANNI, 2001).

Esse processo não ocorre sem que existam mecanismos de resistência que surgem no seio da sociedade civil, mesmo que supraestrutura do fluxo de capital imponha um processo de globalização ou globalitarização no entendimento de Milton Santos, há um processo de resistência constante das regiões que são deslocadas para fora desse sistema mundo, consequentemente o esfacelamento dos estados nacionais coloca os serviços público em um processo de transmutação, onde o recurso público tende a se tornar capital privado, não a toa os pilares desse modelo de organização nacional vem sendo  questionado constantemente.

O executivo, legislativo, judiciário e os partidos, assim a sociedade civil procura por outros meios compreender a relação do Estado Nacional, não à toa que a questão nacional é recorrente no entendimento dos protestos que tomam conta do Brasil, não à toa o sentido simbólico expresso por um senso comum que perpassa a todos em um misto de reconhecimento e identidade parece se compartilhado pelos manifestantes que não querem ser reconhecidos por partidos, que não querem ser reconhecidos por movimentos sindicais, ou qualquer outra entidade a não ser pátria mãe gentil, colocando em público o descontentamento por diversas questões, deixando de lado a própria história de vários movimentos sociais.

Esse sentimento nacionalista é uma faca de dois gumes, por um lado o sentido semântico da nacionalidade por trazer consigo a possibilidade de agregar diversas pessoas, de constituir um sentimento de solidariedade único que pode se superamos a questão nacional torna-se um sentimento de compreensão das diversidade cultural no mundo, onde todos os seres humanos poderão ser vistos como iguais e diferentes ao mesmo tempo, assim mudarmos de uma vez a proposta estabelecida pelo capitalismo onde necessitamos explorar um irmão para que possamos sobreviver nesse mundo. Por outro lado esse sentimento nacional é também situado por um sentimento de negatividade do outro, onde a união pode descambar na intolerância e ódio pela diferença, de identidade, cultura, sexualidade e de gênero, em prol de uma unidade social inexistente e imposta pela violência contra os povos tradicionais, trabalhadores do campo, operários, homossexuais, povos indígenas, quilombolas e todos que se recusarem tomar parte nessa empreitada nacionalista.

As revoluções na América latina são demarcadas por uma força que estabelece verticalmente a partir das classes dominantes, que são representadas primeiramente a partir da nobreza colonial que se estabelece nos territórios dominados impondo suas regras e ações, em seguida passando por um processo de rompimento com a metrópole em um discurso de independência demarcando certa autonomia e sentimento de independência em volta de um novo tipo de proposta de dominação, quer seja republicana ou monárquica, finalmente procurando situar-se em um democracia representativa, que não altera em nada as estruturas de dominação impostas na sociedade.

A sociedade nacional se forma aos poucos, de modo contraditório, em vais-e-vens, como se estivesse demoradamente saindo do limbo. Paulatinamente, nas terras americanas, os conquistadores vão se tornando nativos, colocam-se em divergência e oposição em face da metrópole, passam a lutar pela pátria. Surgem as inconfidências, insurreições, revoltas, revoluções, nas quais estão presentes nativos, crioulos, nacionais, mestiços, mulatos, índios, negros, espanhóis, portugueses, ingleses, franceses, holandeses e outros. Começam a delinear-se a sociedade, o Estado, a Nação, em torno de uma cidade, região, movimento, líder; ou cidades, regiões, movimentos, líderes.(IANNI, 1987)


Mesmo nas insurreições, insurgências, luta por independência, luta pela república e pelo Estado Moderno, o sangue derramado foi o sangue da população, dos excluídos, do escravo negro e indígena, do trabalhador do campo, do operário, dos pobres e dos loucos, estes estavam sempre sendo utilizados como linha de frente dessas revoluções burguesas, tendo como pano de fundo o nacionalismo como ponto inicial e final de progresso da sociedade.

As revoluções populares se constituíam de modo diferenciado, a partir do descontentamento das populações excluídas dessa estrutura modernizante, passavam a resistir diante das imposições daqueles que detinham o monopólio das instituições do Estado e doo uso da violência, no entanto na maioria dos casos as revoluções acabavam na transmutação de um personalismo social, onde a figura de um salvador despontava do meio da população, levando a uma gama de governos populistas na América latina.

Compreendendo-se isso na maioria dos casos as forcas dominantes procuravam no personalismo da liderança popular realizar a transformação que acreditava ser necessária. A relação entre esse processo e as manifestações que se espalham pelo Brasil se encontra na produção de um patriotismo imposto pela grande mídia, inclusive por entidades especializadas em tratar de produzir mensagens em redes sociais, impulsionando dessa maneira a um ataque personalista, já que na há uma liderança reconhecida pelas instituições associadas ao Estado nos protestos.

Esse ataque personalista é direcionado aos movimentos sociais, aos partidos de esquerda e a presidente Dilma, como sendo figuras antagônicas do povo e da nacionalidade construída, seguida de grupos fascistas e integralistas que encontram na oportunidade do anonimato a possibilidade de difundir um ideal nacional e de união perverso.

Esses grupos políticos que defendem a moral, o bem-estar e o apartidarismo e também políticas de desenvolvimento econômico que deslocam aqueles que são excluídos para um espaço mais distante das políticas sociais, compartilhando entre si um discurso autoritário e antidemocrático. Para tanto, se dizem ser sem partidos, mas escondem relações diretas com o campo de atuação da direita conservadora no Brasil. Excluindo as histórias de entidades que estiveram sempre ao lado da população menos favorecida e que não tem acesso aos serviços públicos.

Assim repudiamos toda forma que possa gerar a opressão e implodir o debate dos movimentos sociais dentro da sociedade, iremos lutar pela democracia direta, liberdade e pela emancipação humana desse sistema capitalista. Haja visto que essa mesma classe dominante já procurou se apropriar de causas justas da população e se utilizar para intensificar os mecanismos de exploração, estaremos permanentemente em oposição a esses grupos oportunistas.

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