O Feminismo por uma perspectiva Anarquista
Feminismo é a luta por igualdade e liberdade entre mulheres e homens, que se faz presente e necessária. O movimento feminista é quem tem liderado as conquistas no processo de emancipação da mulher, mas é impossível analisar a questão de gênero sem levar em conta o contexto social, a luta de classes. Percebo que o que tem se difundido é o feminismo burguês, o feminismo da classe média, que limita sua luta revolucionária à de igualdade entre mulheres e homens dentro do sistema capitalista, dentro desse sistema opressor que objetiva unicamente o lucro e se baseia na exploração e acúmulo de capital detido por uma minoria, falta uma análise de classes, pois o sexismo se expressa de forma diferenciada por classe, assim como a opressão de classe é diferenciada por sexo. Conquistar uma igualdade econômica com os homens dentro do sistema capitalista, implicaria em uma permanente luta de classes.
O sistema capitalista tem se adaptado facilmente às mudanças no papel e status da mulher na sociedade, pois esse depende da exploração de classe e não do sexismo, e de acordo com seus interesses se torna flexível a ponto de se apropriar do histórico machismo para maximizar seus lucros, a ditadura da beleza veio muito bem a calhar, obrigado! Nele, a biologia feminina é um defeito, para o patrão, contratar uma mulher, significa licença remunerada em algum momento, para esta dar a luz (a uma criança que é de inteira responsabilidade sua, claro!), o que para ele não é nada interessante e às torna muito mais vulneráveis economicamente que os homens, a falta de investimento em creches públicas e integrais, afeta sempre muito mais às mulheres, e ainda mais às mulheres trabalhadoras, que tem de abdicar de seus trabalhos para cuidar dos seus filhos, essas a quem o sistema da salários suficientes apenas para mantê-las vivas e com forças para continuar produzindo, até o fim de sua vida útil. Ou seja, para o sistema, a mulher é um problema no processo de produção.
A opressão de gênero é perceptível dentro, até mesmo, dos movimentos sociais, no movimento sindical, no século XIX e XX, os homens em sindicatos culpabilizavam as trabalhadoras pela redução nos salários, alguns acreditavam que a solução estava na total exclusão da mulher no trabalho e elevação do salário dos homens para que sozinhos pudessem sustentar suas famílias. E hoje, ainda não existe uma verdadeira igualdade etre os sexos, devido uma relutância ou incapacidade de reconhecer que o problema existe, que em seu próprio meio, a predominância é masculina, em reuniões, mulheres tem suas falas interrompidas, suas opiniões ignoradas, nas decisões suas vozes são abafadas e se sentem ridicularizadas, o que faz com que muitas companheiras de luta acabem saindo de grupos, coletivos, enfim, falta tornar as palavras de ordem, patchs em jaquetas e letras de músicas uma prática cotidiana.
O Anarquismo oferece a homens e mulheres a liberdade plena, diferente da falsa igualdade que se pode alcançar dentro do sistema capitalista. O fim do sexismo não levará necessariamente ao fim do Capitalismo, e vice-versa, mas é necessário para a coerência de ambas, que a revolução anarquista e feminista aconteçam simultâneamente. Reivindico o Anarcofeminismo pois acredito que só abolindo o sistema capitalista e criando uma sociedade sem classes e abolindo a hierarquia de poder que existe entre homens e mulheres viveremos livremente e juntos em igualdade.



Muito bom!!!
ResponderExcluirEsse texto me lembrou um trecho de um jornal anarquista de Porto Alegre, que circulou entre 1906 - 1911 e que diferenciava muito bem as feministas socialistas das feministas anarquistas. As últimas eram consideradas as verdadeiras transformadoras da sociedade enquanto que as inocentes socialistas só seguiam ordens... No caso, o inocente que foi determinante para dizer quem eram as capacitadas e quem não eram, isso dentro da esquerda brasileira...
;)